PRIMEIRAS PALAVRAS - Santosha e bem-estar
Publicado em 13/12/2019

ConteMPorâneo

Foto: Reprodução/FS

Por Mariane Dupont (@marianedupont / @mari_yogapadma)

A palavra santosha deriva do sânscrito, uma língua oriental muito antiga, ancestral do Nepal e da Índia. Embora seja uma língua morta, o sânscrito faz parte do conjunto das 23 línguas oficiais da Índia, porque tem importante uso litúrgico no hinduísmo, budismo e jainismo. 
Língua utilizada também para o Yoga Sutra de Patanjali, um dos textos fundamentais sobre a filosofia do yoga, que consiste em uma coleção de 196 versos curtos e poderosos - um mapa da consciência humana de como viver uma vida feliz e com sentido através dessa prática. 
Dentro desses textos encontramos os yamas (preceitos éticos) e os nyamas (condutas internas), que são os primeiros passos mencionados por Patanjali, onde santosha significa contentamento e faz parte dos nyamas. Nem dá para imaginar que foram tratados há milhares de anos, já que é um assunto muito atual e necessário. 
Segundos esses ensinamentos, observar santosha é desenvolver a capacidade de dar valor para tudo que a vida nos deu e sentir a alegria mesmo nos momentos mais difíceis. Nosso estado natural é contente, as crianças, por exemplo, não precisam de muita coisa para serem felizes. Ao longo da vida é que enchemos a cabeça delas com necessidades desnecessárias.  
Acomodar-se com o que se tem, mesmo que não seja aquilo que se gostaria de ter, é deixar de projetar a nossa felicidade no futuro, em algo que ainda não aconteceu e que talvez nem aconteça. 
Deixar de observar santosha é esquecer de contemplar o momento presente ou de sentir-se feliz com as próprias habilidades, sabendo que somos seres únicos e estamos nessa jornada por algum motivo, e que ninguém é exatamente igual. 
Diferentemente do que podemos imaginar, as dificuldades que enfrentamos e, até mesmo os desequilíbrios, contribuem para o crescimento pessoal. Para isso, é preciso olhar o passado sabendo que ele foi exatamente como deveria ter sido, pois, às vezes, precisamos passar por alguma dificuldade para dar valor ao que temos. 
O contentamento e a tranquilidade são estados de espírito que podem ser desenvolvidos. É muito difícil pensar assim o tempo todo, mas vale a pena tentar. No yoga, a gente aprende a aquietar os nossos pensamentos, parar para respirar e colocar atenção total na nossa mente e no nosso corpo, trazendo para nossa prática diária esse estado de contentamento, nem que seja apenas por algumas horas. 
Faça uma pausa de vez em quando e vá para um local tranquilo, que te traga paz. Não precisar ir longe, pode ser até no pátio de casa ou na praça. Perceba o que existe ao redor, o som dos pássaros, o vento no rosto e aproveite para respirar fundo, esquecer os problemas e preocupações; aquiete os pensamentos e sinta o contentamento tomando conta de você. 
Namastê!
 

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