PÁGINAS 2 E 3 - SAÚDE
Publicado em 15/05/2020

ConteMPorâneo

Foto: Reprodução/FS

PÁGINA 3 - DESTAQUE

PÁGINAS 2 E 3 – SAÚDE


Você sabe o que é apraxia da fala na infância?
Em vários países, entre eles o Brasil, 14 de maio é o Dia de Conscientização sobre a Apraxia de Fala na Infância (AFI). Já ouviu falar sobre isso? Segundo a fonoaudióloga Francine Coelho, apraxia da fala é um distúrbio de origem neurológica que consiste no envio incorreto de informações para o cérebro planejar e executar determinados movimentos que produzem os sons linguísticos. Trata-se de uma perturbação motora da fala que acomete crianças ou adultos. 
De acordo com a profissional, os sintomas podem ser notados a partir dos 2 anos de idade. Em geral, a criança tem uma fala bastante limitada e pouco clara. O problema atinge cerca de uma ou duas crianças em cada mil.
Francine explica que a pessoa que apresenta apraxia mantém o raciocínio preservado. Ela pensa no que quer dizer, mas não é capaz de converter o pensamento em palavras. É como se houvesse um fio desencapado comprometendo a comunicação entre o cérebro e a boca.
“A criança com apraxia da fala tem a audição normal, usa expressões faciais, gestos, sons não verbais, vocábulos isolados e frases sociais com objetivo de comunicar-se. Não há anormalidade estrutural ou paralisia do mecanismo oral que justifique a ausência da fala”, enfatiza. 
Segundo ela, normalmente, são descritas como silenciosas, já que não se envolvem facilmente nos jogos vocais e nas brincadeiras de imitar os sons. Percebe-se um atraso na emissão dos primeiros vocábulos, que estão presentes normalmente por volta dos 12 meses. Quando pensamos em combinação das primeiras palavras, essas podem demorar ainda mais e só acontecer por volta dos 33 meses, quando o normal seria aos 24.
Atenção aos sinais
- Repertório reduzido de fonemas (sons);
- Troca de palavras de forma inconsistente, como chamar a chupeta de ‘pu’ e depois de ‘ba’. Quanto maior a palavra, maior será dificuldade;
- Monotonia e lentidão da fala;
- Perda de palavras já usadas, ou seja, a criança conseguir falar uma palavra e não repeti-la;
- Dificuldades para mandar beijos, sorrir, movimentar a língua para cima, fazer bico e assoprar.
- Maior dificuldade com as respostas de fala voluntária do que com as automáticas;
- Predomínio do uso de formas silábicas simples (consoante-vogal). Exemplo: a criança pode falar apenas uma sílaba ou apenas a vogal da palavra; 
- Em alguns casos, dificuldades alimentares (o alimento "fica parado" na boca ou recusa de alimentos).

Como ajudar? 
As orientações são que, ao menor sinal de dificuldade ou atraso de fala procure um fonoaudiólogo para que seja realizada uma intervenção adequada e precoce que vise o treinamento intensivo de fonoterapia, e que possibilite uma melhor comunicação da criança.
Conforme Francine, para crianças pequenas, que não falam ou que falam pouco, a indicação é que os pais devem procurar uma fonoaudióloga que tenha experiência na área de Linguagem Infantil, para uma avaliação da fala e da linguagem. “Aos 2 anos, já é possível suspeitar de um quadro de apraxia, que poderá ser confirmado no decorrer das terapias. A partir dos 3 anos de idade, a criança já tem condições de realizar tarefas específicas que auxiliarão na produção dos sons”, elucida. 
Para a profissional, caso a criança já esteja em acompanhamento fonoaudiológico pelo atraso na fala e não esteja progredindo de forma significativa, é preciso ficar atenta e o diagnóstico de apraxia deverá ser considerado. “O importante é que, mesmo que haja apenas uma suspeita, a terapia fonoaudiológica já seja direcionada. A intervenção precoce nos distúrbios de fala e de linguagem são essenciais”, afirma a profissional. 

Tratamento
A terapia fonoaudiológica é a melhor opção porque ajuda o paciente a dominar o controle voluntário, para programar a posição correta dos órgãos fonoarticulatórios e para produzir corretamente os fonemas e as palavras. “A evolução do tratamento da apraxia da fala é lenta e requer muita dedicação do paciente, do profissional terapeuta e, principalmente, da família, já que são dados exercícios que devem ser praticados intensivamente, durante todos os dias em casa, em trabalho conjunto com os pais. A terapia deve ser agradável à criança, realizada sempre de forma lúdica”, destaca Francine.
Vale ressaltar que a apraxia é uma alteração rara e que a criança deve ser avaliada com muito cuidado. De acordo com a fonoaudióloga, nem toda criança com "atraso na fala" tem como diagnóstico a apraxia. Quando diagnosticada, necessita de uma abordagem terapêutica intensiva e diferenciada. 

Deixe sua opinião