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CONTRACAPA – Climatério e cuidados nutricionais
Publicado em 20/03/2020

ConteMPorâneo

COLUNA HELLEN DIAS

Foto: Reprodução/FS

Hellen Resing Dias


Climatério e cuidados nutricionais
Por Hellen Resing Dias - Nutricionista (@nutrihellendias)


Em comemoração ao mês da mulher, vamos falar de um tema muito importante para todas nós, o envelhecimento e a chegada do tão temido climatério.
Nos últimos anos, temos observado o aumento da população feminina no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), em 2018, observou-se que 51,7% da população são mulheres. Cerca de 17% dessas com 50 anos. O envelhecimento populacional é uma realidade mundial. Como consequência, espera-se, nos próximos anos, um aumento progressivo na procura dos serviços de saúde por mulheres com queixas relacionadas ao climatério. Paralelamente, a assistência ao climatério tem passado por uma modificação de paradigmas, impondo aos profissionais de saúde uma mudança de atitude. 
Reconhece-se que o climatério é influenciado, tanto por fatores biológicos quanto psicossociais e culturais, cujo conhecimento é fundamental para uma assistência mais qualificada e humanizada. O climatério é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma fase biológica da vida e não um processo patológico, que compreende a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher. 
Corresponde ao período que se inicia a partir dos 35 anos e vai até os 65 anos, quando a mulher é considerada idosa. A menopausa é um marco dessa fase, correspondendo ao último ciclo menstrual, somente reconhecido depois de passados 12 meses da sua ocorrência, que acontece por volta dos 50 anos.
A alimentação equilibrada é fundamental para promover a saúde da mulher climatérica, uma vez que o consumo alimentar inadequado constitui-se como um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças altamente prevalentes nessa fase da vida.
Devido à baixa nos níveis de estrógeno, que ocorre no período do climatério, a mulher é afetada, principalmente na pele e nas curvas. Há uma diminuição do colágeno que provoca a perda da elasticidade da pele e dos vasos sanguíneos, assim como a massa muscular diminui e aumenta a concentração de gordura corporal, principalmente na região abdominal.
À medida que a produção de estrógeno cai, as taxas de colesterol e triglicérides no sangue tendem a aumentar, a absorção do cálcio pelos ossos fica prejudicada e, deste modo, aparecem os riscos para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares e osteoporose. Tudo isso deve ser compensado com a alimentação.
Devemos ficar atentos aos seguintes micronutrientes: cálcio, ferro, zinco (peixes, fígado, carne vermelha, aves, cereais integrais, leguminosas, levedo de cerveja e milho); magnésio, selênio (castanha do Pará, atum, miúdos, levedo de cerveja, brócolis, couve, cebola, alho, repolho e tomate) e vitaminas D (peixes salmão, atum, sardinha, cavala, arenque, gema de ovo e fígado); B12 (carnes, fígado, ostras, ovos, leite e queijos) e ácido.
Se estiver nessa fase, a mulher deve redobrar os cuidados com o cardápio, sempre com planejamento: controle do consumo de alimentos gordurosos, sal e açúcar; ingestão diária de fontes de proteínas animais (carnes, frango, peixe e ovos), bem como as leguminosas (feijões, grão de bico, soja, lentilha) duas a três porções ao dia. Uma delas será de feijões, as outras duas de carnes. Preferir prepará-los de forma magra, nada de frituras. 
Fonte de vegetais que sugere variedade, conforme disponibilidade regional. Três a cinco porções, cruas e cozidas, distribuídas nas principais refeições, nas saladas, refogadas, cozidas ou em sopas. As frutas, também variadas sempre, duas a quatro porções.
Uma dica importante é de que alimentos como a linhaça, que contém lignanas, bem como a soja, que possue fitoestrógenos, são alternativas alimentares para a terapia de reposição hormonal (TRH). 
Mantendo uma alimentação equilibrada e com comida de verdade podemos ter qualidade de vida em todas as fases de desenvolvimento. 

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