Bagé / RS, Terça-feira, 23 de Outubro de 2018
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Definição sobre futuro do antigo City Hotel deve acontecer até final de 2018

Um ano após fechamento

Local funcionou por 53 anos na avenida Sete
Local funcionou por 53 anos na avenida Sete
Crédito: João A. M. Filho

Neste domingo, completa-se um ano da desocupação das dependências do City Hotel, um dos empreendimentos hoteleiros mais tradicionais de Bagé, que funcionou por 53 anos. De acordo com o representante legal da Ápice Securitizadora, administradora de fundos de pensão e de investimentos agrícolas e imobiliários que assumiu a posse do prédio onde funcionou o hotel, as negociações para venda do imóvel seguem em andamento e a definição deve acontecer até o fim deste ano.
De acordo com o advogado Ricardo Jobim, três propostas foram apresentadas para aquisição do imóvel pertencente à Ápice, que estão em fase de avaliação. “Nossa principal preocupação durante este período (desde que assumiram a posse do prédio) era avaliar a real situação da estrutura. Paralelo a isso, nós enfrentamos o problema causado pelo incêndio da galeria, que atrapalhou o planejamento. Desde que obtivemos a reintegração de posse, junto à Justiça, temos analisado propostas para aquisição do espaço. Queremos dar a destinação adequada e o momento atual do mercado não está favorável. Não faremos negócios irresponsáveis, pois se trata do dinheiro de investidores que economizaram durante todas as suas vidas. O que posso declarar no momento é que nossa previsão é resolver o assunto ainda este ano”, argumentou.
Com 10 pavimentos, o prédio possui área privativa de 3 586,14m², área comum de 37,91m², perfazendo a área total de 3 624,05m² e seu respectivo terreno com 759 m². Em edital de leilão extrajudicial publicado em 2016, antes do fechamento, motivado pelas dívidas acumuladas pelo M.Grupo, destacava o valor restrito à estrutura do local, avaliada em R$ 10 milhões. Porém, como a estimativa de preço de um ponto comercial vai além do espaço físico, se trata de um negócio a que poucos investidores locais teriam acesso. Isso se explica pelo fato do imóvel estar na principal avenida do centro de Bagé, em ponto privilegiado, com acesso facilitado e infraestrutura; o antigo City Hotel poderia ser considerado um dos melhores imóveis disponíveis para aquisição na Rainha da Fronteira.
 
Relembre 
O fechamento do City Hotel Bagé aconteceu por conta da falência da holding que controlava as operações do City, denominada M.Grupo, liderada por Lorival Rodrigues e seu filho, Cyro Santiago Rodrigues. A liquidação do patrimônio do M.Grupo que causou o encerramento das atividades do City virou caso de polícia e bloqueio de bens, avaliados em R$ 1 bilhão, que deixou centenas de investidores e trabalhadores em várias cidades do Rio Grande do Sul sem receber imóveis pelos quais pagaram ou os salários relativos aos serviços prestados.
Em Bagé, 26 trabalhadores perderam seus empregos, alguns com mais de 20 anos de serviços prestados ao hotel. A razão disso é que o empreendimento foi comprado pelo M.Grupo por meio de alienação fiduciária – semelhante a uma hipoteca, na qual o imóvel serve como garantia para o financiamento. Ocorre que no caso do City Hotel e de outros empreendimentos propostos pelo M.Grupo no Estado, a empresa recebeu da Ápice Securitizadora créditos estimados em R$ 200 a R$ 300 milhões para construção e operação de cinco shoppings, prédios comerciais e outros empreendimentos imobiliários.
O caso foi destaque na edição de 23 de setembro de 2017 do jornal  Folha do Sul, quando a reportagem esteve no local e contatou a gerência do City Hotel para esclarecimentos, porém, não foi atendida. O espaço contava com 26 funcionários, pelos menos dois deles afirmaram terem sido orientados a “não dar declarações” sobre o fato. Contudo, foi confirmado que o local estava encerrando as atividades e “tudo estava à venda”. Às 16h de 22 de setembro, um telefonema recebido na recepção informou que as camas e colchões dos quartos já estavam vendidos. Perguntados sobre qual seria o futuro dos funcionários, os trabalhadores reiteraram que “não poderiam se pronunciar” sobre o assunto. Contudo, confirmou-se que a empresa era administrada diretamente pelos diretores do M.Grupo, Lorival Rodrigues e Cyro Santiago Rodrigues, e que a venda dos bens pertencentes ao City Hotel seriam destinados ao pagamento de dívidas trabalhistas. Durante a semana que antecedeu a desocupação do espaço, a rotina das proximidades do número 1050 da avenida Sete de Setembro mudou, com o grande fluxo de compradores de diversos itens que pertenciam ao hotel, vendidos a preços muito abaixo do praticado no mercado e grandes filas se formaram de interessados e curiosos. “Me avisaram no WhatsApp que estavam vendendo frigobar a R$ 150”, disse uma jovem, que na ocasião pediu para não ser identificada. A fila de compradores se misturava a de carregadores e de veículos de frete, que transportavam os itens entre o corredor da galeria anexa ao hotel.
 
Funcionários pegos de surpresa 
Em matéria publicada na edição de 5 de outubro do ano passado, a reportagem acompanhou as assinaturas das rescisões dos contratos de trabalho dos empregados do City Hotel, que aconteceu na sede do Sindicato dos Empregados do Comércio, Bares, Restaurantes e Similares de Bagé. No local, o clima era de angústia e desconfiança, pois a única ex-funcionária que aceitou falar com a reportagem, disse que os trabalhadores souberam do fechamento da empresa por meio da imprensa e internet.
Segundo um dos trabalhadores que não quis se identificar, o receio de falar com a imprensa era a respeito da possibilidade de sofrer represálias e ficar sem receber os valores acumulados de anos a serviço do City Hotel. Consta que um dos representantes do M.Grupo estava no local e não quis prestar declarações. De acordo com a fonte, os 26 ex-funcionários teriam recebido o aviso prévio, 13º salário, férias e, em 45 dias após a assinatura, teriam depositado os 40% da multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Ao procurar integrantes do grupo após este período, somente um quis prestar declarações e confirmou que a quantia não havia sido depositada. Em razão disso, a redação contatou a representante legal dos funcionários para saber mais detalhes sobre o caso, porém, a advogada se negou a prestar informações. Desde então, muitas perguntas ficaram sem resposta em relação à situação real dos ex-funcionários do City Hotel, pois alguns deles teriam mais de 20 anos de vínculos formais com a empresa. Em nenhum momento, o ex-gerente da empresa, advogados ou os então proprietários atenderam ou prestaram esclarecimentos.
 
Caso de polícia 
O envolvimento do M.Grupo e seus executivos em numerosos empreendimentos que vieram a falir ou se descapitalizar motivou a realização, pela Polícia Civil, da operação Torre Negra, destinada a investigar graves indícios de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Deflagrada em 24 de maio deste ano pela Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública e Ordem Tributária  (Deat), do Departamento Estadual de Investigações Criminais  (Deic), com o apoio da polícias civis de São Paulo, Santa Catarina e Goiás,  foram cumpridas 15 ordens judiciais de busca e apreensão nas cidades de Porto Alegre, Canoas, Gramado, Nova Santa Rita, Florianópolis, Goiânia, São Carlos e São Paulo. 
As atividades se concentraram nas sedes de empresas, residências dos proprietários e funcionários e demais locais de interesse às investigações. Segundo o delegado Max Otto Ritter, a investigação apurou a sucessão de negócios jurídicos destinados à venda de imóveis, ainda na planta, mas que tiveram as respectivas obras abandonadas ou sequer saíram do papel. “O esquema criminoso movimentou pelo menos R$ 90 milhões e vitimou aproximadamente  870 pessoas, somente no Rio Grande do Sul”, salientou o delegado. Por sua vez, o delegado André Lobo Anicet detalhou que o rastreamento de empresas ligadas de forma direta ou indireta ao M.Grupo é superior a 100. “No início da investigação, nós tínhamos cerca de 60 empresas ligadas ao grupo. Hoje, esse número ultrapassa 100. Nossa investigação aponta que esses registros junto ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) eram utilizados para movimentação financeira dos recursos captados pelos envolvidos. O dinheiro saía de uma empresa para outra possivelmente para desvirtuar o caminho dos recursos”, sustentou. Conforme Anicet, a investigação continua em andamento e os fatos ligados ao City Hotel também poderiam vir a ser alvo das investigações. “A princípio, nós nos focamos mais em Porto Alegre e Gravataí, onde aconteceram os maiores investimentos ligados às empresas do M.Grupo. Inicialmente, Bagé não teria relação com o caso, porém, ainda estamos investigando os fatos que envolvem a falência da empresa e seus gestores”, comentou. Perguntado pela reportagem a respeito do envolvimento de Lorival Rodrigues e Cyro Santiago Rodrigues, Anicet confirmou que a dupla permanece no Brasil e também é investigada por numerosos estelionatos, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

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