Bagé / RS, Domingo, 16 de Junho de 2019
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Paralisação de caminhoneiros e produtores é desmobilizada em Bagé

Após 10 dias de protestos, as manifestações de caminhoneiros e produtores rurais em Bagé foi suspensa. É que o grupo, de aproximadamente 30 integrantes, reduziu-se para somente três profissionais no acesso à avenida Santa Tecla. Conforme os membros restantes, a desmobilização aconteceu devido à ação das forças de segurança, ocorridas na manhã de ontem, no acesso a Hulha Negra. Segundo os profissionais, o acampamento às margens da BR-293 foi totalmente desmontado às 15h, o que também aconteceu nos outros dois pontos de mobilização. Dos três presentes no local, somente dois profissionais aceitaram conceder entrevista.
 
De acordo com o caminhoneiro Marco Aurélio Vieira Araújo, 47 anos, “a paralisação 'morreu' porque ter gasolina no tanque era mais importante que lutar por direitos”. Araújo se referia à falta de adesão da comunidade à causa dos manifestantes: “Nós continuamos engajados, ainda que sem o apoio, pois no resto do país a categoria continua parada”.
 
O profissional Clairton Nogara, 48, avaliou positivamente o resultado da maior greve da história da categoria. “Foi criado um canal com o governo federal para que fôssemos ouvidos. Porém, a negociação não alcançou os termos que desejávamos e fomos forçados a sair após o conflito em Hulha Negra”, disse.
 
Em relação ao término da atividade em Bagé, Araújo foi claro: “Me sinto desiludido e aborrecido com a desunião que abateu a categoria. Ressalto que a greve não acabou só porque foi desmobilizada em Bagé. Nossa causa é justa e não foi atendida”. Nogara disse ter ficado ao menos três noites em vigília, percorrendo os acampamentos do caminhoneiros em Bagé e que os trabalhadores teriam sido intimidados pela ação das forças de segurança. “A bagunça que aconteceu em Hulha Negra nada teve a ver conosco. Ainda assim, fomos notificados a sair e a maioria nos abandonou”, lamentou.
 
Agricultores se retiram dos protestos
 
Após reunião ocorrida na noite de terça-feira, integrantes  da Associação dos Agricultores da Região da Campanha (Agricampanha) decidiram retirar-se das manifestações que faziam em parceria com os caminhoneiros. De acordo com Gesiel Porciúncula, presidente da entidade, o objetivo de expressar a insatisfação com as políticas do governo foi alcançado e os integrantes da associação avaliaram que não era mais viável manterem-se mobilizados: "Protestos estão surgindo que não envolvem as demandas propostas desde o início entre os participantes (caminhoneiros e produtores), por isso, decidimos nos retirar. Outros agricultores podem continuar mobilizados, pois nós não falamos em nome de todos os produtores rurais da região e cada um é livre para seguir seu caminho", encerrou.
 
Prejuízos
 
Na tarde de terça-feira, quando ainda estavam unidos, o grupo detalhou à reportagem os prejuízos causados pelos aumentos sucessivos nos custos dos combustíveis durante os últimos meses e a defasagem nos preços pagos, tanto a caminhoneiros quanto a agricultores. Eles reiteraram que não se sentiam representados nas negociações junto ao governo federal. Outra justificativa é que as medidas prometidas nas negociações não teriam efeito prático para os participantes.
 
O grupo que permaneceu acampado na  rótula da Santa Tecla durante os 10 dias era composto por autônomos e empresários de pequeno porte. Eles relataram que o prejuízo de ficar parado é menor que continuar trabalhando normalmente. É o que o caminhoneiro Volsei Gomes, 35 anos, declarou: “Acumulo perdas de R$ 3,5 mil desde segunda-feira passada com a parada. Estou aqui pela causa, porque do jeito que está, não tem como continuar. Nossa situação de trabalho está cada vez mais precária”.
 
A maioria dos integrantes era bageense, todos homens, com idades entre 25 e 60 anos, que se mantinham no local por convicção de que a paralisação não poderia ser desmobilizada. Eles ficavam em tenda improvisada às margens da rodovia, onde cozinhavam o alimento, conversavam entre si e com outros motoristas por meio de redes sociais, bebiam mate e permaneciam em vigília.
 
Defasagem no pagamento
 
Na tarde de terça-feira, o profissional Alexandre Eslabão, 40, destacou que, em 1996, o valor pago por tonelada de arroz transportada era de R$ 50, de Bagé e região ao sul até Santa Catarina. “O valor atual pago é de R$ 56, que não cobre nem o custo da viagem. Estamos acostumados a passar trabalho para manter a família. Paralisamos porque, do jeito que está, não tem como continuar”, relatou. Eslabão se refere a uma das principais reivindicações dos transportadores: a tabela mínima de frete. “O caminhoneiro passa um dia por semana em casa e mal recebe a remuneração necessária para sobreviver”, enfatizou. Para o também transportador Alexandre Camargo, 37, as propostas apresentadas pelo governo federal não são aceitáveis por não apresentarem impacto positivo à classe: “É um engano acreditar que a redução no preço do diesel de R$ 0,46 é suficiente. Recebemos os mesmos valores que há dois anos e os custos duplicaram”.
 
"Luta por dignidade"
 
O motorista Ígor Coelho da Silva, 29, mostrou à reportagem os registros das notas fiscais de compra de diesel em Bagé. Em 10 de março deste ano, pagou R$ 3,51 por litro. Em 18 de maio, três dias antes da paralisação ser deflagrada, o custo tinha subido para R$ 4,09. “São R$ 0,58 de aumento. É inaceitável tamanho reajuste em tão pouco tempo. É uma luta por dignidade”, detalhou. Com 40 anos de trabalho no setor, José Luiz Romero, 60, foi taxativo: “O custo para trabalhar não para de subir e, se botar na ponta da caneta, não se trabalha mais. Por isso, precisamos que seja feita a tabela mínima do frete”.
 
A suba generalizada dos custos foi ressaltada porl Porciúncula: “O diesel impacta diretamente nos custos aos produtores. Em agosto do ano passado, o diesel custava R$ 2,87 por litro. Hoje, nos postos que têm diesel à venda, está a R$ 3,98, mais de um real de aumento em menos de um ano. É inaceitável”. A principal reclamação dos produtores é justamente as perdas em relação ao período entre o plantio e a colheita, onde se registraram as maiores variações nos custos. “Em menos de um ano, subiu mais de R$ 1 o litro do diesel, além de todos os insumos que usamos nas lavouras e a concorrência dos produtos vindos do exterior a preços menores. A produção, em geral, perde competitividade no mercado externo e se torna inviável, economicamente, no mercado interno. O que este governo está fazendo vai acabar com o setor rural, que é o maior gerador de divisas para o país”, argumentou.
 
Ao encerrar, Nogara mostrou um vídeo gravado na manhã de ontem e compartilhado entre os caminhoneiros, que mostrava ato ocorrido na cidade de Casca, a cerca de 500 quilômetros de Bagé, onde a população local formou um cordão humano em volta do caminhões, em proteção aos grevistas: “Aqui, enquanto estávamos mobilizados, eles ficaram nas filas para abastecer o tanque com a gasolina a preço superior a R$ 5”.


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