Bagé / RS, Sexta-feira, 21 de Julho de 2017
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Bagé: 206 anos | Caderno: Bagé: 206 anos

Um novo “olhar turístico” para a Campanha Gaúcha

por Yuri Cougo Dias

O vento frio. A grama verde do "campo aberto". Um “ar de antiguidade” nos prédios históricos. Essas são apenas três das várias respostas que poderiam elucidar a pergunta: por que visitar a Rainha da Fronteira? Um aniversário de 206 anos indica que muitas histórias e fatos estão guardados, tanto na parte física quanto no “coração” desse povo. No entanto, de nada adiantará se a informação não for divulgada e os investimentos não forem feitos do modo adequado. É nessa linha de raciocínio que entra o “empreendedorismo”. O jornal Folha do Sul entrevistou especialistas no ramo do turismo e representantes do poder público municipal para saber o panorama atual da cidade, dentro do segmento, e as perspectivas futuras para o setor.

Catedral e as memórias da cidade

Pelo seu contexto histórico, o trajeto turístico começa na Catedral de São Sebastião. Com base em materiais dos historiadores Tarcísio Taborda e Elizabeth Fagundes, o ativista cultural Sávio Machado elaborou uma pesquisa das principais curiosidades do templo religioso e a sua influência nos acontecimentos da cidade. As informações também serviram para a criação de um folhetim, que fica disponível para os visitantes. “A igreja surgiu quando os cavaleiros de São Sebastião trouxeram a imagem do santo. Iniciou como uma capela. A matriz começou a ser construída em 1820 e foi concluída em 1830.  Anos depois, em 1859, a comunidade decidiu construir uma nova igreja e, para isso, contratou o arquiteto italiano José Obino”, relata.
Personagens não faltam na história da catedral. De acordo com Machado, no aspecto artístico, um dos quadros expostos que mais chama a atenção é o “Morte e Ressurreição”, pintado por Glauco Rodrigues. O material foi doado por Norma Estelita Rodrigues, viúva de Glauco. “Muitos estudantes de artes que passam por ali se impressionam e passam a explorar a obra de Glauco, isso sem falar que ele pintou mais de 90 quadros relacionados a São Sebastião”, enfatiza. O local também abriga, mais especificamente na torre direita, os restos mortais de Gaspar Silveira Martins e do general Carlos Telles. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 30 de janeiro de 1937, o prédio depende de intervenções para que a preservação histórica seja mantida. Está em fase de elaboração um projeto cultural e um arquitetônico, a fim de angariar fundos no Ministério da Cultura. A ideia, conforme Machado, é fazer um restauro geral do espaço.

Predomínio rural

O clima, a economia e o aspecto geográfico deixam claro que Bagé é reconhecida pelo território na zona rural. Especialista em turismo, Juliano Munhoz afirma que grande parte dos visitantes da Rainha da Fronteira tem interesse em não apenas observar as lidas do campo, mas participar delas. “Bagé sempre foi reconhecida por essa característica pela Secretaria de Turismo do Estado. Na década de 80, teve até 21 propriedades que atuaram nessa área. Hoje tem cinco. A procura, no verão, tem aumentado, pois cada vez mais as pessoas estão buscando contato com a natureza, devido ao estresse do dia a dia”, observa.
Entre os fatores locais, Munhoz destaca a tradicional criação de cavalos das raças Crioula e Puro-Sangue Inglês. Também cita a produção de artesanato. “Dizem os teóricos que o turismo rural surgiu em Lages. Para mim, foi em Bagé e em Lavras do Sul. O turista não precisa de uma megaestrutura. Claro, a oferta de um bom banho e uma boa alimentação é primordial. Mas ele quer ter a experiência do campo. Potencial nós temos. O que precisamos é marketing, empreendedorismo, promover capacitações”, frisa.

Consolidação da identidade

Presidente do Conselho Municipal de Turismo, Edson Mór entende que o primeiro passo é a reestruturação. A partir disso, ele afirma que deve ser criada uma identidade visual, de acordo com os costumes e o contexto histórico. “Além de uma cidade limpa, ser também uma cidade rústica, que lembre, em cada canto, a nossa identidade. Na pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Bagé recebeu uma ótima nota como potencial turístico. No mapa nacional turístico, recebeu nota B, a mesma de Garibaldi e Bento Gonçalves, cidades já consolidadas como destino turístico”, pontua. Nesse contexto, Mór elenca vários projetos como potenciais, como a Hidráulica, a cidade cenográfica Santa Fé e a produção das vinícolas. “Tenho certeza de que estamos no caminho certo para o desenvolvimento do turismo”, ressalta.

Engajamento da sociedade civil

Parcerias público-privadas e o apoio da sociedade são os fatores que o coordenador municipal de Turismo, César Fernandes, aponta como fundamentais para extensão do segmento em Bagé e região. “Bagé é uma das 173 cidades históricas, conforme o Ministério do Turismo. As pessoas vêm pela história, pela gastronomia e até para sentir um pouco de frio. Para isso, o comércio deve estar preparado. Os visitantes precisam de restaurantes, hotéis, postos de combustíveis”, salienta. Reativado no dia 20 de junho, o Centro de Informações Turísticas, localizado na avenida Santa Tecla, recebeu 43 visitantes, de 1° a 10 de julho. O espaço funciona de segunda à sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 9h às 13h. “Tivemos apenas seis meses de gestão. Muitas coisas ainda virão”, pondera.

A relação com a cultura

Desde a gestão de Divaldo Lara, a Secretaria de Cultura passou a se chamar “Secretaria de Cultura e Turismo”. Titular da pasta, Fabiano Marimon entende que os dois segmentos estão interligados. A realização de eventos, segundo ele, é uma consequência dessa união. “Tivemos o Dança Bagé, com mais de mil pessoas. O Fimp vai trazer bastantes participantes também. Ainda teremos a Semana Farroupilha, a Festa do Churrasco, o próprio carnaval, que já tem data marcada para 2018. Sem falar os projetos que apoiamos, como a Expofeira, a Semana Crioula e o MotoEncontro”, argumenta. Para Marimon, o principal ponto a ser investido, em caráter de urgência,  é a cidade cenográfica de Santa Fé. “Ela foi deixada de forma caótica pela gestão anterior. Conseguimos apoio para fazer reparos e deixá-la apta e ter uma boa durabilidade. É fundamental que as pessoas contribuam com R$ 5, que é o valor cobrado para visitações. Nesses seis meses, arrecadamos mais de R$ 6 mil. Todo o dinheiro foi usado para reformas”, comenta.
Sobre os planos futuros, a meta de Marimon é que a prefeitura realize, no mínimo, um evento por mês. “Nosso primeiro ano de gestão é para nos organizarmos e tomarmos conhecimento. Estamos em busca da reconstrução do hipódromo, que gerará mais de 500 empregos diretos e indiretos. Junto a esses projetos, elaboraremos um plano de mídia. Teremos um site e colocaremos painéis de outdoor nas rodovias e montaremos um material para ‘vender’ Bagé para fora. Temos muito o que fazer”, finaliza.

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