Bagé / RS, Sexta-feira, 21 de Julho de 2017
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Bagé: 206 anos | Caderno: Bagé: 206 anos

Olivicultura: aposta em ascensão

Expectativa de produção para o próximo ano
Expectativa de produção para o próximo ano
Crédito: Fernando Dias/EspecialFS

por Marcelo Pimenta e Silva

Nos últimos 10 anos uma atividade agrícola ganhou força na região da Campanha. Trata-se da olivicultura, que se consolida em municípios da Metade Sul do Estado como alternativa para somar a culturas tradicionais como a pecuária e às agrícolas, como a do arroz e a soja. Conforme dados da Emater/RS-Ascar, o que atrai muitos produtores à cultura da oliva está na possibilidade de que, entre o sexto e sétimo ano, após o plantio das mudas, os olivais possibilitem uma produção de cerca de seis mil quilos de azeitona por hectare e uma produção de azeite que varie entre 900 a mil litros por hectare. Essa produção, conforme a instituição, sanaria todos os custos de investimento no empreendimento e daria aos produtores fluxo de caixa. Em Bagé, atualmente, há cerca de oito produtores apostando na cultura, com uma área aproximada de 70 hectares com olivais. A estimativa é de que se tenha, no município, em torno de 20,5 mil plantas, com expectativa de serem colhidas, pela primeira vez, na próxima safra. Conforme o engenheiro agrônomo e produtor Émerson Menezes, o segmento vive, em Bagé, a expectativa da instalação da agroindústria que ele e outros produtores estão instalado.
 
Construção de empreendimento
O empreendimento Azeites do Pampa Agroindústria Ltda. está sendo construído em uma área de quatro hectares que pertencia ao Clube Cantegril de Bagé, próximo ao Aeroporto Internacional Comandante Gustavo Kraemer, na BR-153. A agroindústria visa absorver não somente a produção local de azeitonas, bem como de cidades como Dom Pedrito, Aceguá e Hulha Negra. “Apesar da crise econômica ter influenciado na retração dos investimentos em 2016, o anúncio do empreendimento refletiu no aumento do interesse por parte dos produtores que planejam investir na atividade no segundo semestre de 2017. O mercado está aquecido e a tendência é que dobremos a área plantada em 2018”, projeta Menezes.
O produtor detalha que a capacidade da indústria será de 500 quilos de azeitonas/hora e terá suporte de absorver produção superior a 100 hectares ao ano. “Claro que, se for necessário, essa capacidade poderá ser aumentada já que haverá espaço para ampliação no prédio industrial”, explica. De acordo com o engenheiro agrônomo, a safra 2017/2018, em Bagé, será pequena, uma vez que os olivais ainda são jovens. “Teremos que adquirir produção de outros municípios vizinhos para colocar o azeite local no mercado. A partir de 2019, espera-se o aumento progressivo da produção em toda a região”, complementa.
 
Perfil da atividade
A atividade da olivicultura é viável, segundo o agrônomo, se todos os critérios técnicos - escolha da área onde será cultivada; análise detalhada do solo; escolha das cultivares e correção do solo - forem atendidos. O Brasil importa 99% do que consome. São cerca de 70 mil toneladas de azeite ao ano, o que representa um montante estimado em 500 milhões de dólares anuais. Menezes ainda acrescenta que as áreas preferenciais para o cultivo de oliveiras não são as mesmas para culturas agrícolas como a da soja e a do arroz, o que não representaria concorrência a essas produções.
“O Brasil necessitaria, atualmente, para atingir a autossuficiência, em torno de 100 mil hectares em produção. Hoje, temos 2,5 mil hectares, sendo que 10% em produção. Por ser uma cultura que demanda muita mão de obra, principalmente para a colheita, a sua expansão não será vertiginosa, restringindo-se a pequenas áreas próximas ás propriedades”, afirma Menezes. Conforme ele, observa-se que o perfil de produtor que ingressa na atividade é formado por profissionais liberais, tais como médicos, funcionários públicos e aposentados com bom poder aquisitivo e com alguma experiência em fruticultura. “Em função do custo de implantação e do tempo para o retorno do investimento, o perfil é da classe média e alta. Hoje, existem linhas de crédito que possibilitam aos pequenos produtores ingressarem na atividade e, sem dúvida é uma bela alternativa de renda para a pequena e média propriedade rural, inclusive para a integração com pecuária”, acrescenta.
 
Desafios
Indagado sobre os desafios que surgem para o setor da olivicultura, Menezes destaca que a capacitação de mão de obra é o principal, na opinião dele. Isso porque a atividade demanda qualificação, tanto no plantio, quanto nos tratos culturais e colheita. “Daqui a alguns anos, quando estivermos colhendo 100 hectares no município, precisaremos de 80 trabalhadores durante 60 dias. Imaginem toda a região com mais de 500 hectares entre Pinheiro Machado e Livramento. Claro que a mecanização da colheita se tornará imprescindível”, argumenta Menezes que ainda aponta como outro desafio a necessidade de educação do consumidor para que reconheça as diferenças entre um azeite genuíno de um fraudado, podendo, assim, usufruir de  todos os benefícios de uma alimentação mais saudável. “Ainda indico desafios para a pesquisa: quais as cultivares mais adaptadas para as nossas condições; quais os tratamentos para minimizar a alternância de produção e as questões de mercado, como concorrer com azeites de segunda classe; acesso a crédito, pois o novo plano Safra disponibiliza recursos para a olivicultura, porém o período de carência ainda é pequeno; enfim, os desafios são inúmeros, mas o desejo de empreender, gerar emprego, renda e promover o desenvolvimento regional são maiores", finaliza.
 
 

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