Bagé / RS, Domingo, 24 de Setembro de 2017
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Bagé: 206 anos | Caderno: Bagé: 206 anos

A força da agricultura: uma tradição

por Marcelo Pimenta e Silva

A chamada Rainha da Fronteira tem sua história vinculada à pecuária de corte, com a produção de gado a partir da introdução de raças taurinas, e, até hoje, tem como diferencial uma carne de qualidade ímpar, muito pela criação de rebanhos tendo com base o campo nativo. No entanto, Bagé também mantém seu papel de vanguarda pela possibilidade de dinamizar seus potenciais, principalmente, pela convergência de culturas que foram introduzidas no passado, como o arroz, para novas frentes produtivas. Essa capacidade de aproveitar a fertilidade de seus campos, sua localização geográfica e o trabalho do produtor e do trabalhador rural faz com que novos desafios sejam superados e conquiste diferenciais na produção bovina e ovina de alta qualidade; na criação de cavalos de excelência na raça Crioula e no Puro-Sangue Inglês; na produção orizícola que dinamizou os serviços em agricultura no município, bem como as novas atividades, tais como a produção de soja, uvas para vinhos finos, a olivicultura e a fruticultura.

Arroz: antigos desafios para manter produtividade
Na cultura do arroz irrigado na região de Bagé, os registros de sua intensificação remontam à década de 70, com o primeiro registro da safra de 1974/1975, tendo uma área de cultivo de 2 987 hectares e uma produtividade alcançada de 3,2 mil quilos. Mais de 40 anos depois, o município teve, na última safra, uma produção de 95 963 toneladas, com produtividade, em quilos, por hectare, de 8315, em uma área colhida com a cultura de 11 541 hectares. Conforme o produtor e presidente da Associação dos Arrozeiros de Bagé, Ricardo Zago, a safra foi excepcional, com produtividade um pouco superior a de outras regiões do Estado. “O clima foi benéfico para o arroz. Da semeadura até a colheita, não tivemos problemas. Foi uma safra muito positiva como há algum tempo não tínhamos; o único ‘porém’ foi para a questão do preço, que sofreu uma queda de até 25%, se comparado com a safra passada”, salienta Zago. Para ele, os hoje mais de 150 orizicultores que plantam o cereal na Rainha da Fronteira precisam superar como grande desafio a questão da logística para a retirada do produto de suas lavouras até as empresas de armazenagem, bem como a questão de armazenamento de água. “No primeiro caso, acredito que já melhorou muito com a atual gestão municipal. Hoje, já existe uma intenção com ações de recuperação de nossas vias do interior, mas claro que é um problema que ainda precisa ser superado. Já sobre o armazenamento de água, esse é o grande desafio para os nossos produtores, visto que, nos últimos anos, não tivemos problema desse tipo, mas sabemos que Bagé tem um histórico de estiagem e, cedo ou tarde, teremos problemas com a seca”, comenta Zago.

Integração com a soja é benéfica
Já o diretor do Núcleo de Assistência Técnica e Extensão (Nate) do Irga, em Bagé, Juliano Quevedo, comenta que, ainda hoje, um desafio para o setor é que existe uma enorme dificuldade, principalmente, de pequenos e médios produtores, com o preço de comercialização do arroz abaixo do valor de custo de produção e perdas de produtividade de safras devido a eventos climáticos como El Niño, o que acarretou na descapitalização e endividamento desses produtores. Por consequência, perderam o direito ao crédito nas instituições financeiras oficiais, diminuindo ainda mais as suas rentabilidades. “Portanto, para a sustentabilidade ambiental, econômica e produtiva da lavoura orizícola, é necessário que seja intensificada a rotação de cultura e a integração com a pecuária, os chamados sistemas integração, lavoura e pecuária (ILP). A cultura da soja em rotação com arroz está sendo uma importante ferramenta no controle das plantas daninhas, um dos principais gargalos na produção da cultura do arroz irrigado, além de outros benefícios como a quebra de ciclo de doenças, fixação biológica do nitrogênio, reciclagem de nutrientes, melhorias nas condições físicas, químicas e biológicas do solo, possibilitando aumentos da produtividade na lavoura do arroz em até 20%, quando comparada ao plantio convencional arroz/arroz e ainda proporcionando uma diversificação da renda do produtor”, ressalta o engenheiro agrônomo sobre a importância da integração do arroz com a soja, cultura que, nos últimos anos, apresentou um crescimento considerável de área plantada em Bagé.

Investimentos e aumento de área plantada
Para o vice-presidente da Farsul e ex-presidente da Associação Rural do município, Gedeão Silveira Pereira, o produtor atendeu a demanda nacional pela produção de grãos, no caso o da soja. Com isso, aumentou os investimentos para a cultura na região de Bagé. “Se formos pensar que Bagé é uma fronteira agrícola e que não tínhamos infraestrutura para atender a demanda pela soja, houve um grande investimento em máquinas, implementos em geral, como tratores, colheitadeiras, insumos, armazenamento e tudo isso para que, em sete anos, saíssemos de uma área plantada no município de cerca de cinco mil hectares para um volume superior a 100 mil”, reitera o dirigente.
Esse volume de investimentos, neste ano, representou uma vitória para o setor agrícola de Bagé. Isso porque, após uma safra com diversos problemas, incluindo uma severa quebra em produtividade, efeito do fenômeno El Niño - que trouxe chuvas da semeadura até a colheita da soja -, o período atual foi de bonança para os produtores. Isso porque para a safra 2016-2017 houve recorde na colheita da oleaginosa. Resultado que comprova, para muitos, que ela está consolidada na Rainha da Fronteira. O empresário e produtor Valmor Coradini Júnior reforça esse sentimento. Para ele, os números de alta produtividade deste ano vão além da safra que se encerrou recentemente. Ele enfatiza que os produtores da região têm conhecimento e tecnologia para produzir. “A safra trará um sentimento de vitória e um entusiasmo para as próximas. O produtor irá observar, cada vez mais, a cultura com ânimo redobrado. A solução da grande quebra da safra 2015-2016 não se resolverá com a que se encerrou agora, mas iniciou pelos resultados obtidos nesta última”, comenta o empresário. Coradini Júnior aposta em um aumento entre 5 a 10% na área plantada com soja para a safra 2017-2018. “A soja é um negócio rentável e que veio para ficar. Não é apenas aqui que se fala em nova fronteira agrícola na Metade Sul do Rio Grande do Sul. As operadoras do mercado também comentam sobre isso e aqui temos área para expansão. O crescimento poderá ser em um ritmo mais lento do que aconteceu nos últimos anos, quando a área plantada deu um salto, mas ele prosseguirá. Isso é importante, porque onde a soja se estabelece ela movimenta a economia e traz riqueza para a região”, conclui o empresário. 

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