Bagé / RS, Segunda-feira, 18 de Maro de 2019
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Bagé: 205 anos | Caderno: Bagé: 205 anos

Rádio poste: a voz de Bagé

por Rochele Barbosa

Se existe algo que responda simetricamente à cidade é a Rádio Difusora, imagem sonora da comunidade.
A história da rádio se mistura com a vida do italiano, naturalizado brasileiro, Vicente Gallo Sobrinho. Nascido em 1900, em Nápoles, aos 4 anos, após perder o pai, Francisco,em um naufrágio, veio para Bagé com a mãe, Aquilla, e o irmão, Antônio, dois anos mais novo. Também vieram para a Rainha da Fronteira dois sobrinhos, Ernesto e Luiz Gallo.
Com 12 anos, Gallo Sobrinho já trabalhava. Atuou como calçador de ruas e garçom na Confeitaria Cruz, de Vitelo Cruz. Integrado à sociedade bageense, o italiano casou-se, em 1921, com Felícia Bianculli, tiveram os filhos: Ruy, as gêmeas Recy e Reni e João Henrique.
Conforme conta a revista "A voz de Bagé", produzida pela rádio Difusora, Gallo era um homem que propunha riscos. Obteve empréstimo junto ao Banco Pelotense e fundou a tabacaria Gallo. No entanto, a projeção comercial veio com a Casa Gallo, loja que vendia material elétrico, discos e uma variedade de artigos.
Para informar a comunidade sobre as novidades musicais, Gallo Sobrinho fez um buraco na parede do estabelecimento comercial e inseriu um alto-falante.
Com o sucesso da iniciativa, em 1935, o pioneiro italiano instalou um serviço de alto-falantes. Com auxílio de uma eletrola e de um aparelho transmissor, ele também transformou uma cápsula de telefone em microfone. “Foi o primeiro do gênero no Rio Grande do Sul”, destaca a revista sobre a história.
Havia retransmissores na Praça Silveira Martins, Praça de Esportes, nas esquinas do Banco Mauá - hoje Bradesco -, Café Nacional, Banco do Comércio e no Povo Novo (bairro Getúlio Vargas). Havia até um piano no auditório onde era gerada a programação.
Em 1942, realizou a primeira transmissão de rádio em Bagé na visita do presidente Getúlio Vargas.
Gallo Sobrinho percorreu todos os caminhos possíveis, registrou uma sociedade para formação de capital, juntou a papelada para vencer a etapa burocrática, e, segundo a revista, pegou até pá e picareta para superar obstáculos que surgiam –como a instalação de radiais - fios de cobre enterrados para funcionar como um espelho refletor de áudio, no local onde a antena deveria ser instalada. Além do pioneiro Vicente Gallo Sobrinho, foram sócios-fundadores: Maurício Infantini Filho, Nilo Vaz Cachapuz, Carlos Poester, Antônio Fued Kalil, Hermes Barreto, Hilma Salgado Filho - representando João Batista Fico -, João Citro, Dronico Jacinto Pereira, Heitor Germano Filho e Júlio Magalhães Vieira.
Tentou, no fim da década, pela primeira vez, uma concessão. Em 1956, Gallo Sobrinho iniciava a Rádio Sociedade Difusora - A Voz de Bagé. Conhecida como o Eco do Pampa, a primeira equipe da rádio contou com locutores como: Conrado Medes Cardoso, Gilmar Oliveira Brum - conhecido como Ivan César -, Carlos Lopes Peres - o Peres Filho - e Leila Barros, pseudônimos de Glodete Corrêa.
Cuidavam da sonoplastia: Manoel Lopes de Moraes, Rufino Mendes Aristimunha, Derny Vaz Gomes e Urânia Pires. Os técnicos eram Paulo Silveira Médici e Alberto do Canto Lucena. O departamento desportivo era constituído por Lauro Lima, Adail Sidney Silveira, Sílvio da Silva - o Capitão- e Jorge Chagas.
Atuava no radiojornalismo Mário Nogueira Lopes. Como animador, João Carlos Cazarré; Florisbal dos Santos era o porteiro e a administração ficava a cargo de Leo Tavares de Llano, Felisbino Ricardo, João Henrique Gallo e Walter Conceição.
A programação era variada: notícias, esportes, programas religiosos, de auditório, atendimento e participações de ouvintes por carta ou telefone e, claro, música seleta.
O precursor da rádio morreu em 1986 e deixou o legado para a família Gallo.
No histórico descrito pelo neto de Vicente, João Vicente Gallo Sobrinho, o primeiro contrato comercial foi firmado em 29 de janeiro de 1953 e registrado na Junta Comercial em março/1953, nº 70761. “A Rádio Difusora foi inaugurada oficialmente em 27 de fevereiro de 1956. Com esta visão empreendedora e empresarial, a rádio busca, constantemente, o aperfeiçoamento e a qualidade”, informa o neto do pioneiro.
A primeira sede da rádio foi na rua Barão do Triunfo, esquina Juvêncio Lemos (anexo à Sociedade Italiana). O primeiro transmissor possuía 100 watts, hoje atua com cinco mil watts (maior potência de transmissão da cidade e região).
No histórico ressaltado por Gallo Sobrinho, na década de 60 a rádio passa a ocupar prédio próprio na avenida 7 de setembro, 1115 (sede atual).
Na década de 70, foi a primeira emissora a contar com equipamento de unidade móvel para transmissão externa, também foi a primeira rádio de Bagé a realizar transmissões internacionais, numa época em que não existia satélite nem celular.
Em 1983 foi instalada a primeira emissora de FM de toda a região (Rádio Delta FM).  A Difusora também foi a primeira rádio AM de Bagé a instalar sistema digital de operação. Primeira na Rainha da Fronteira e quarta no interior do Estado a ter sua programação on-line, ao vivo, pela internet, desde janeiro/2000.
A rádio também foi promissora em instalar transmissor totalmente transistorizado, de última geração, em 2003, o primeiro pronto em Bagé para quando for implantado, em breve, o novo sistema digital.

Situação da época
Os anos 50 eram a época de ouro do rádio brasileiro, com as famosas rádio-novelas e cantores como Orlando Silva, Nélson Gonçalves, Cauby Peixoto e Dalva de Oliveira. Tempos de abrir rodovias, gerar progresso com o início da construção de Brasília e as primeiras fábricas de automóveis no país.
Surgia, em 27 de fevereiro de 1956, a Rádio Difusora, chamada de a “rádio nova” pelos bageenses daquele tempo. “Programas de auditório eram realizados pela Difusora com sucesso.
Vários foram os momentos mais marcantes da Difusora ao longo destes 50 anos: transmissões jornalísticas numa época pioneira; grandes eventos como as promoções do Miss Bagé e Miss Rio Grande do Sul, nas décadas de 60 e 70; incontáveis programas de auditório com atrações musicais da época: Trio Los Panchos; Ângela Maria; Cauby Peixoto; orquestras e conjuntos daquele tempo; espetáculos esportivos acompanhando a dupla Ba-Gua; a passagem de emissora local para regional em 1981; a liderança na ligação cidade – campanha por longas décadas com os chamados “avisos”; a ampliação da sede em 1986.
João Vicente Gallo Sobrinho enfatiza: “Poderíamos citar aqui uma centena de atividades, ações e momentos, mas, acima de tudo, a profunda interação e ligação com a comunidade bageense e regional, que dão à Difusora a audiência, carinho e apoio ao longo desta histórica jornada”, finaliza.

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Sol e vens continuam seu caminho unidos em leão ainda motivando seu coração. Lua e mercúrio em virgem melhoram as relações de trabalho e possibilitam acordos de negócios. planos e projetos em alta.

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