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Bagé: 205 anos | Caderno: Bagé: 205 anos

Arquitetura bageense: a preservação da história de um povo

Por: Yuri Cougo Dias

As ruas de Bagé proporcionam, aos olhares mais atentos, uma “viagem no tempo”. Além das belas paisagens naturais, caracterizadas pela região do Pampa, a cidade também conta com uma forte característica arquitetônica. Prédios como a Catedral de São Sebastião, Palacete Pedro Osório, Intendência Municipal, Hidráulica, Capela de Santa Thereza, entre outros, trazem não apenas o traçado de renomados profissionais arquitetônicos, mas sim, elementos fundamentais para a história de um povo farto de feitos, conflitos e vanguardismo. Dentro desse contexto, a reportagem do jornal FOLHA do SUL traz um panorama  do passado e do presente desses prédios históricos. 

Origem e características

Conforme a dissertação de mestrado “Arquitetura bageense - o delinear da modernidade: 1930-1970”, de Magali Nocchi Collares Gonçalves, em 1826, mestres oriundos da Missão Artística Francesa trazem para o Brasil a arquitetura neoclássica, baseada na antiguidade greco-romana. O primeiro resultado físico foi a Catedral de São Sebastião (1860). Com os anos, o estilo eclético português, utilizado por profissionais militares, adentra nesse contexto. Com isso, nascem o Mercado Público (1862), Teatro 28 de Setembro (1872), Sociedade Espanhola, Hospital de Caridade de Bagé (1870) e Beneficência Portuguesa (1878). Aos poucos, Bagé se consolida com uma arquitetura que beira os padrões de Porto Alegre. Na época, as primeiras construções foram destinadas para as funções pública, recreativa, cultural, residencial e saúde.
O final do século XIX representa um marco do que, futuramente, contribuiria para um “surto imobiliário” na cidade: a inauguração da Charqueadas de Santa Thereza, em 1897, de propriedade de Visconde de Ribeiro Magalhães. Tal espaço tornou-se, com o passar das décadas, um ícone para os amantes da arquitetura.
Nos anos 20, o setor imobiliário no município sofre com a instabilidade econômica enfrentada pelo país e tem uma pausa. No entanto, a sociedade da época começa a apresentar uma preocupação com os princípios estéticos das residências. É nesse período que surgem vários pedidos para alterações das fachadas.
As novas perspectivas para o setor são evidenciadas em um evento, em 1935, que comemorava os 100 anos da Revolução Farroupilha. A arquitetura é citada constantemente como um meio de fortalecimento do “varguismo” – termo utilizado para o governo de Getúlio Vargas. Já na década de 40, a tendência alcança resultados amplamente positivos na Rainha da Fronteira. Considerada como uma das cidades mais ricas do Estado, Bagé passa por um momento de instalações de frigoríficos, sedes de agências telegráficas, telefônicas e bancárias. Os números populacionais também impulsionam. Em 1949, o município registrava 66 172 habitantes. Destes, 35 340 residiam na zona urbana e 1 878 nos bairros afastados. As condições favoráveis proporcionam a abertura do setor habitacional, o que atrai investidores para a área no município. Com o evidente desenvolvimento econômico, a arquitetura toma grandes proporções, devido à necessidade de construção de cinemas e teatros, para satisfazer a população.
"Em 1955, em situação de endividamento, o governo municipal negocia o quarteirão central do Mercado Público, com a incorporadora Cine Hotel Consórcio Ltda.. A proposta era da construção de um prédio com apartamentos, hotel, cineteatro, escritórios, lojas comerciais, garagens, playground em terraço jardim, lavanderias coletivas e restaurantes para trabalhadores." A obra nunca foi finalizada, no entanto, foi apontada como um “choque modernista” para a cidade.
Magali aponta que o contexto cultural e artístico que envolveu a cidade desde o início do século XX, com manifestações no teatro, literatura e música, impulsionou a produção arquitetônica. A similaridade com Porto Alegre era notória. “No mundo pós-moderno, percebe-se a busca pela preservação e identidade da arquitetura. A substituição dos prédios ecléticos faz-se por fatores como o gosto pela conservação do patrimônio do cidadão, a qualidade e amplitude das construções ecléticas. É como se a nova cidade dos novos loteamentos reservassem um olhar para o centro, macro-objeto de valor histórico a ser preservado. Tudo em Bagé é patrimônio. Este pode ser considerado um polo patrimonial para o Rio Grande do Sul”, enaltece.

Patrimônio

Segundo a artista plástica e integrante do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Município (Compreb), Heloísa Beckman, em 2009, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou um inventário das edificações urbanas de Bagé. Esse material registrou mais de 100 quadras e aproximadamente três mil prédios. Três anos depois, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) foi o responsável pelo tombamento na cidade, o que a qualificou como patrimônio cultural e paisagístico. Para manter a originalidade dos prédios, o Compreb atua desde 2007 no município.
Formado por integrantes do Executivo, arquitetas, historiadoras, professores e advogados, os encontros são semanais, sempre às quartas-feiras. Nos primeiros dois anos, conforme levantamento da arquiteta Joelma Silveira, integrante do conselho, foram restaurados os seguintes prédios: Instituto Municipal de Belas Artes (Imba), Palacete Pedro Osório, Intendência Municipal, Centro Administrativo e Museu Dom Diogo de Souza.
Em 2015, os números são positivos. Dos 64 projetos encaminhados ao conselho, apenas sete não foram aprovados. Estes últimos podem retornar em outro momento com uma nova proposta. Joelma destaca que há uma lista com mais de 1,5 mil bens inventariados em processo de tombamento.
Heloísa salienta que o principal motivo da luta pela causa é a preocupação com a história da Rainha da Fronteira. “Temos que nos responsabilizar pela preservação da cidade. Temos o dever de que as próximas gerações saibam a história local”, explana.
Para embasar o argumento, Heloísa utiliza duas frases. A primeira é do arquiteto bageense Sérgio Magalhães: “O desenvolvimento tem que acontecer com a identidade”. E a outra tem como autor o escritor italiano Italo Calvino. “A massificação das grandes cidades e o anonimato conduz à perda de nossa identidade”.
Questionada se Bagé pode ser considerada como ícone patrimonial para o Rio Grande do Sul, a artista plástica ressalta que o município tem várias riquezas as quais devem ser preservadas. “Temos que crescer sem perder a identidade. Hoje, temos uma poluição visual, que esconde as belas fachadas da cidade. Temos o maior tombamento do Estado. A riqueza nas construções é grande. Exemplo disso são os prédios de arquitetura eclética, do final do século XIX, quando vários arquitetos evidenciaram sua genialidade, como os irmãos Obino – José e Pedro -, Domingos Rocco e Henrique Tobal”, frisa.
A preservação do passado como alicerce para os rumos do futuro. O patrimônio atrelado à identidade de um povo. Esse é o pensamento que rege os defensores da arquitetura, construída nesses 205 anos na Rainha da Fronteira.

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