Bagé / RS, Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
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Bagé 203 de História e Beleza | Caderno: Bagé: 203 anos

Pioneirismo da Rainha da Fronteira

 
por Marcelo Pimenta e Silva

De origens humildes, porém, estratégica em sua localização geográfica, principalmente nos tempos das disputas territoriais entre portugueses e espanhóis, o município de Bagé completa 203 anos, neste dia 17 de julho, mantendo um legado que se traduz na força de seu povo. Herança de empreendedorismo e inovação que pode ser justificado pela distância dos grandes centros, aliada à imensidão verdejante dos campos do Pampa. O fato é que o bageense, ou quem aqui se torna um por destino, tem em sua vida a capacidade de inventar, inovar e construir primazias.
Publicado pela editora da Universidade da Região da Campanha (Urcamp), o livro “Primazias de Bagé. Um guia incompleto”, de autoria dos professores e historiadores Cláudio de Leão Lemieszek e Élida Hernandes Garcia, traz em suas páginas fatos em que o município foi pioneiro.

Investigações
Conforme um dos autores, o diretor do Arquivo Público Municipal, Cláudio de Leão Lemieszek, a ideia de pesquisar as primazias de Bagé era antiga. "Comecei este estudo por volta de 1992, estimulado pelo Tarcísio Taborda e pelo professor Astrogildo Fernandes. Com o desaparecimento dos dois, interrompi temporariamente o trabalho, voltando-me para outras áreas da história de Bagé, onde, também, eventualmente deparava-me com alguns pioneirismos da Rainha da Fronteira", salienta. O professor reitera que foi pela insistência da professora Élida Hernandes Garcia, também autora do livro e responsável pelo Arquivo Jorge Reis, Biblioteca Tarcísio Taborda, e pela manutenção da Reserva Técnica do Museu Dom Diogo de Souza, que a obra foi escrita. "E com o comprometimento dela de também participar das investigações foi que o livro nasceu", afirma.
Já a professora Elida comenta que a pesquisa de campo para o livro foi feita com todo o cuidado e que foi uma honra trabalhar neste projeto. “Fui convidada pelo professor Lemieszek e trabalhar com ele já é um privilégio, pois ele carrega um conhecimento muito grande sobre Bagé. Então, sou realizada por ter feito este trabalho em que aprendi muito com as primazias da cidade, sendo uma obra para os bageenses conhecerem a importância da cidade para o estado e país”, comenta a professora que informa que o livro por ser um “guia incompleto” trata-se de uma obra em aberto. Ou seja, novas primazias já foram recolhidas e estarão reunidas em um novo volume. “Há algumas informações que ainda não conseguimos dados para confirmá-las. Por exemplo, o Hotel do Comércio. Muito se comenta de que ele foi o primeiro no Estado, mas ainda não conseguimos a informação oficial para indicá-lo como primazia. Também abordaremos no novo livro, informações como o fato de a Escola Espírito Santo ter o primeiro ginásio coberto do Estado, em 1926”, relata a professora.

Múltiplas primazias
No trabalho de pesquisa, Lemieszek declara que ficou particularmente surpreso pelos pioneirismos que alçaram Bagé em posição de destaque em maior ou menor grau. "Mas sempre como primazia em setores os mais diversos, alguns em áreas sem tradição na nossa terra. Ou, então, constatar que nossa tradição vem de épocas mais distantes que sequer imaginávamos, inclusive, invenções", ressalta o professor que cita, como exemplo, a exploração da vitivinicultura que, hoje, está consagrada em nossa região. "Porém, poucos devem saber que no distante ano de 1923, a Vinícola J. Marimon de Bagé recebia a medalha de ouro pela qualidade de seus vinhos na Exposição do Centenário da Cidade do Rio de Janeiro. Na verdade, a Escola de Engenharia de Porto Alegre em inspeção nos vinhedos Marimon, considerou os melhores do Rio Grande do Sul" destaca.
Outra surpresa que trouxe orgulho aos dois pesquisadores foi saber que bageenses que lutaram na II Grande Guerra tiveram destacado papel de bravura que os levou a serem os únicos condecorados, na sua classe, com as mais altas condecorações dos exércitos americano e britânico. O autor também enfatiza que o que chama a atenção do leitor atento é a multiplicidade de primazias em diferentes áreas o que mostra que Bagé não se restringe a crescer em um único setor, no caso do setor primário que é a grande força econômica da cidade, mas também, no mundo jurídico, nos esportes, nas artes, na indústria e no comércio, sempre com o papel destacado das mulheres.

Fatores que impulsionam Bagé
Sobre as causas que fizeram o município ter esse protagonismo na história, Lemieszek acredita que a condição privilegiada de Bagé deve-se a confluência de vários fatores. Uma delas foi a localização geográfica que fez da cidade posição militar estratégica concentrando aqui muitos militares. Outro fator está nos campos de Bagé que produzem as melhores carnes do estado, além da qualidade da terra que oferece recordes em várias culturas agrícolas. "Entre outros, estes fatores, fizeram de Bagé no final do século XIX e primeira metade do século XX, uma cidade rica que atraia muita gente. Bagé chegou a ser a quarta maior cidade do estado", menciona o autor, destacando que não pode ser esquecido seu papel político de grande relevo no estado e no Brasil, o que seguramente contribuiu para o engrandecimento de Bagé. "Por fim, tenho certeza que no presente estamos experimentando uma nova etapa de grande progresso que alçará Bagé para um patamar ainda maior, por conta da nova feição que passa incorporar Bagé como cidade universitária com quatro grandes centros, que sem dúvidas produzirão novos conhecimentos e profundas transformações" aponta Cláudio de Leão Lemieszek.

Obra deveria ser adotada nas escolas
Para o desembargador aposentado e, também pesquisador, José Carlos Teixeira Giorgis, o livro deveria ser adotado em nossas escolas e conhecido pelos alunos, ”para que soubessem, através destas primazias, a importância que nossa cidade tem quanto às diversas originalidades que a engrandecem. Bagé é um dos locais em que se desenrolaram episódios de enorme repercussão nacional, alguns decisivos para fim de algum ciclo”, pondera.
A história comprova essa afirmação. Bagé foi sede do governo farroupilha e por aqui transitaram tratativas para a paz de Ponche Verde; foi palco da eclosão de 1893, o cerco da cidade, o combate das Traíras, da Conferência de Paz de 1923; da fundação de partidos como o Federalista e o Libertador. E berço ou moradia de personagens como D. Diogo, Pinto Bandeira, Osório, Caxias, Mallet, Conde de Porto Alegre, o Barão de Bagé, Félix Contreiras Rodrigues, Silveira Martins, Mendonça Lima, Pedro Wayne, o Grupo de Bagé, Souza Neto, Caetano Gonçalves, João da Silva Tavares e João Nunes Tavares, Fernando Luís Osório, além de Emílio Médici, Alceu de Deus Collares, Paulo Brossard de Souza Pinto e, tantos outros políticos de épocas próximas, cita o desembargador que comenta que embora muitos destes episódios já tenham sido vasculhados, sempre há um documento a descobrir, uma fotografia, uma carta a revelar, algo que ficou escondido, enfim, sempre um ponto que os pesquisadores podem interpretar, trazendo novas luzes e feições. “Há pouco participei de antologia sobre a 1ª Grande Guerra. Mas ‘Bagé e a 2ª Guerra’ ainda estão de portas abertas para a investigação. Como, por exemplo, um aprofundamento da presença dos pracinhas da cidade; a escravidão por aqui também necessita de análises mais densas, embora até se conheça a relação dos escravos e um ou outro evento”, destaca.

Conhecimento sobre a memória local
José Carlos Teixeira Giorgis acredita que grande parte da população ainda desconhece a importância da memória bageense. Para ele falta, quem sabe, pedagogia ou referências nas aulas, mais insistência em seu ensino. “Recordo que Tarcísio (Taborda), Rutes Teixeira e Maria José Collares escreveram cartilhas básicas para dar ciência de nossas coisas. E que há muitos anos se cogitou incluir nos currículos uma disciplina chamada "História de Bagé". Mas a redução de disciplinas, as exigências dos programas, a obediência às normas impedem o fluxo destas informações. Um curso superior de História também seria catalisador para tais objetivos. E continuar estas iniciativas, agora, mais frequentes de palestras, conferências ou seminários que divulgam e instigam”, sugere o desembargador.

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