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Candiota 21 Anos | Caderno: Candiota 21 Anos

Com mais de meio século no município, casal relembra história candiotense

Memórias vivas

Há cerca de 52 anos, Cídio de Andrades Jacob mora em Candiota. Poucos dias após completar 90 de idade, mais da metade vividos no município, ele e a a esposa Ilda, de 86 anos, receberam a reportagem da FOLHA do SUL e contaram um pouco da história, curiosidades e transformações pelas quais a cidade passou.
O casal mora bem no centro da cidade, na principal avenida, a 24 de Março, em uma casa acolhedora, cheia de lembranças de muitos anos dedicados ao trabalho e à cidade.
“Eu trabalhava na CRM (Companhia Riograndense de Mineração) em Minas do Leão. Aí fui transferido para Candiota. Era encarregado dos serviços de perfuração e detonação”, conta Cídio.
Ilda, ao lado do marido, lembra que a cidade não tinha os seis bairros urbanos atuais. “Em Seival tinha mais coisas. Aqui em Lassance (hoje sede do município) tinha só umas 13, 14 casas”, lembra. Cídio diz que havia “uma rua com quatro casas de um lado e nove do outro”.
Contudo, com o passar dos anos a cidade foi crescendo. “No início havia apenas a mina. Mas depois a Usina Velha entrou em operação. Aí tudo foi crescendo”, lembra o aposentado. Ele recorda que a ativação da produção de energia também ampliou os serviços na mina. “Quando cheguei eram alguns poucos funcionários, mas depois chegaram mais. Aí, começaram a ser construídos chalés para os operários”, relembra.
Mesmo com a elevação gradativa de pessoas, os momentos de lazer ainda eram escassos. Ilda conta que os bailes reuniam grandes públicos em Seival. “Como era longe, íamos de tombadeira até lá”, disse em meio a risadas. O marido complementa lembrando que o passatempo favorito entre os homens era a caça. “No final de semana caçávamos perdizes”, comentou.
Por ser uma cidade construída a partir de pessoas provenientes de diversas partes do Brasil, e mesmo de outros países, os relacionamentos também eram atípicos. “Tínhamos um grupo de amigos que vieram juntos de Minas do Leão. Quando chegamos haviam os italianos. Eram muito bons. Como falavam português, a gente se entendia bem”, diz Ilda, ao lembrar da época em que trabalhava na lavanderia dos operários estrangeiros.
Ambos garantem que as grandes mudanças vieram, de fato, com a inauguração da Usina Presidente Médici. “No local havia apenas um campo de futebol. Era tudo muito diferente do que é hoje”, conta Ilda. Já Cídio ressalta que a ativação da nova Usina resultou no nascimento de novos bairros, como a Vila Residencial e a Operária. “Era muita gente. A cidade cresceu muito”, comentou.
Coincidência ou não, Cídio se aposentou em 1991, um ano antes da emancipação do município. Orgulhoso, conta que encerrou a carreira com 39 anos, nove meses e 15 dias de trabalho na empresa. “Ao menos é o que constava nos dados do INSS”, relatou entre risos. Os números, de fato, impressionam. Sobre uma mesa no canto da sala de sua casa, Cídio exibe uma pequena coleção de troféus e homenagens pelos anos de serviço. “Fui o homem que mais tempo trabalhou na empresa”, afirma.
Mesmo assim, o casal fincou raízes. Com dois filhos e dois netos, os dois contam que do grupo de Minas do Leão apenas eles ficaram. “Mudamos de casa, mas decidimos ficar. Vimos muitas mudanças na cidade”, concluiu Cídio.

Filho atua na emancipação
O movimento em prol da independência política de Candiota iniciou nos anos 90. Filho do casal Cídio e Ilda, Paulo Learci de Andrades, hoje com 61 anos, integrou o grupo de defensores do ideal como secretário de Emancipação.
Ele recorda que as manifestações iniciais eram modestas. “Havia um certo descontentamento pelo atendimento que Bagé (ao qual pertencia Candiota), talvez em função das distâncias, tinha com os moradores daqui. O descolamento de máquinas para serviços de ajustes de estradas raramente ocorria, até porque era difícil”, argumenta.
Andrades destaca que na cidade vizinha de Hulha Negra, o mesmo movimento havia iniciado um pouco antes. “Existia uma ideia de que ambos os locais deveriam ser emancipados, mas que Hulha seria a sede do município. Lógico que, durante as conversas, isso acabou não sendo aceito. O caminho acabou acontecendo junto, lado a lado, mas cada cidade buscando a sua emancipação”, atesta.
Com o passar do tempo e a elevação do ideal emancipatório, o número de pessoas favoráveis e envolvidas com a emancipação evoluiu. "A resistência de alguns tinha como um dos principais motivos a sustentação proporcionada pelas empresas que aqui existiam. Os funcionários ganhavam casas para morar e, mesmo não sendo os donos, todos os serviços de manutenção eram executados de graça. Inclusive a educação dos filhos era garantida", relatou. "Aos poucos, porém, conseguimos mostrar as vantagens da emancipação", complementa.
O plebiscito não demorou a vir. E, em 24 de março de 1992, Candiota se emancipou de Bagé e tornou-se município. "Este pleito popular foi o que deu legitimidade a todo o processo", garante.

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