Os 60 anos do clássico Ba-Gua dos 100 tiros

Esportes | 20/09/2014
  • Guarany-64: em pé, Sérgio Cabral, Bejeja, Solis Rodrigues, Danúbio, Caetano e Válter Valêncio. Agachados, Anito, Didi Pedalada, Ênio Chaves, Pingo e Max Ravaza - Crédito: Reprodução/FS

Em mais de 400 edições, o clássico Ba-Gua, cuja história, praticamente ininterrupta, começou em 31 de julho  de 1921, registra aspectos dos mais diferentes. Os shows de bola de grandes craques, as goleadas marcantes (a maior foi do Bagé, em 1940, por 7x0; a mais ampla do Guarany, 6x0, em 1943), as brigas generalizadas, a rivalidade acima de tudo.
Pois, exatamente há 50 anos, em 20 de setembro de 1964, o estádio Antônio Magalhães Rossell estava lotado para mais um clássico, válido pelo citadino. O Guarany abriu o escore no primeiro tempo, aos 13 minutos iniciais por Casquinha, ex-Floriano de Novo Hamburgo. O gol de empate do Bagé surgiu aos 36 minutos do segundo tempo por Ivo Medeiros, que, até 1962,  havia brilhado pelo Guarany. Num Ba-Gua disputadíssimo e nervoso, houve a expulsão de Carmelo Storniollo, do alvirrubro. Um torcedor do Guarany invadiu o gramado, agredindo o árbitro Mário Severo. No final, protestos veementes dos torcedores alvirrubros, a tentativa de invasão de campo. A Brigada Militar interveio e muitos tiros foram dados para o ar. No dia seguinte, “Folha da Tarde”, um jornal da Caldas Júnior, de ampla penetração em Bagé, classificou o jogo como “o Ba-Gua dos 100 tiros”, e isto passou não à própria história de um dos maiores clássicos do futebol do Rio Grande do Sul.
O citadino de 1964 teve os seguintes jogos: 17 de maio, 2x1 Guarany, gols de Ênio Chaves, descontando Jara; 12 de julho, 3x2 Bagé, gols de Armando (dois) e Jara, enquanto Ênio Chaves e Sérgio Cabral marcaram para os alvirrubros; 20 de setembro, o clássico dos 100 tiros, já referido; 1º de novembro, 1x 1, marcando Ivo Medeiros aos 38 minutos e Carmelo Storniollo, aos 90, quando os jalde-negros já comemoravam o título. Houve necessidade de um clássico extra, dia 8 de novembro, também no Pedra Moura, com o Guarany vencendo por 3x1, gols de Anito aos 37 minutos, Sérgio Cabral aos 43 e 51, descontando Ivo Medeiros a quatro minutos do final. O alvirrubro festejou ruidosamente a conquista do título daquela temporada, tendo seu grupo de jogadores formado por Henrique, Bejeja, Solis Rodrigues, Danúbio, Sérgio Cabral, Storniollo, Pingo, Anito, Max Ravaza, Casquinha, Caetano, Bataclã, Maçarico, Didi Pedalada, Ênio Chaves, Casquinha, Válter Valêncio, Sonha, Reginaldo, Joãozinho. O treinador campeão foi o uruguaio Salvador Rubilar, grande craque das décadas de 1930/40.

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