Bagé / RS, Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
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Gladimir Aguzzi
Coluna: Papo de Elevador
Papo de Elevador

Papo de elevador

No tempo do Brasil
Foi-se o tempo em que o Brasil parava no horário dos jogos da Seleção Brasileira. Não para mais. Talvez seja essa nossa mania de querer imitar os outros, ser grande à moda dos outros. Isso só nos apequena. Voltamos ao tempo de antes de 1958, retornamos ao nosso complexo de vira-lata. Eu nem lembrei que teve um Brasil em campo esta semana.

Eu, Nélson Rodrigues
Por falar em Brasil e vira-lata, sou fã das crônicas de Nélson Rodrigues. Mais ainda daquelas “Confissões” no jornal O Globo. Seu jeito de ser se confundia com o Brasil real. Queria poder escrever sobre Bagé com aquele viés. Queria poder dizer que a cidade não precisa mudar suas características, não precisa se prostituir como ocorreu na década de 50, quando derrubou o Mercado Público em troca de uma ilusão desenvolvimentista que nunca aconteceu. 

Sem dó nem piedade
Estão nos arquivos do jornal Correio do Sul o que se escrevia e dizia sobre o Mercado Público, um prédio arrancado sem dó nem piedade do coração da cidade, bem ali onde hoje estão os edifícios Obinotel, Silveira Martins, Ibajé e Móglia. Da frente da avenida Sete ao Calçadão. Havia queixa de toda a ordem contra o mercado, mas vingavam as reclamações sobre a sujeira e o “fedor”. Alguns declaravam ser insuportável passar por perto.

“Loucos de rua”
Gosto de falar bem da minha cidade. Sempre. Conto histórias das histórias de Bagé com uma ufania, às vezes, assustadora. Tem dias que tenho vontade de me transformar num desses folclóricos “loucos de rua”, que tantos tivemos, para sair por nossas calçadas gritando histórias que raros sabem, como a segunda derrubada do Forte de Santa Tecla, a invasão Argentina, os voluntários da pátria, a era de ouro do município e as tintas do Grupo de Bagé! Histórias lindas.
Hoje, não. Neste sábado, quero falar mal.

O clã e o pertencimento
“Por que derrubaram o Mercado Público? Tão bonito.” Perguntou uma amiga tendo as mãos fotos do velho mercado. Respondi:
- Leia tudo o que diziam do mercado nos anos 50 e talvez tu, se estivesse lá, naquela época, irias ajudar nessa empreitada de demolição.
Porque somos todos hipócritas quando queremos pertencer ao clã do status quo. Desfazemo-nos da verdade. Somos máscaras. É assim no clube social, é assim na universidade. Os clãs...

O bem-educado
Outro dia vi o ministro Paulo Guedes dizer numa comissão da Câmara dos Deputados a seguinte frase:
- Vocês estão acostumados a desrespeitar respeitosamente.
Brilhante! Nunca vi uma definição tão pertinente para o bem-educado dos aplausos, o bem-educado do camarote vip, o bem-educado alegórico.
Todo o bem-educado “pavão” é um canalha capaz de derrubar um monumento histórico e uma reputação sem levar as culpas.

O grito do Tarcísio
A história de derrubar o Mercado Público para construir os tais “edifícios do desenvolvimento” durou dos anos 1940 até metade dos 50. A Câmara de Vereadores realizava sessões ensandecidas, a maioria dos vereadores queria a derrubada. Mas havia sempre uma voz solitária a dizer “não façam isso”. A legislatura de 1952 a 1955 teve Tarcísio Taborda como um de seus vereadores. O grande historiador de Bagé tinha apenas 25 anos. Penso que se já gritava era um grito parado na multidão de contras.

Herculano Gomes
Um dos poucos grandes defensores do mercado foi Herculano Gomes, avô da vereadora Sonia Leite. Ele publicou artigo de defesa do Mercado Público no Correio do Sul. Um texto forte, sem receios. Quem sabe, um dia, não publique aqui, na íntegra.

O que não vi
O Mercado teve sua construção iniciada em 1862. Terminada em 1887. Sem as torres. Tinha lojas de confecções, de materiais de construção, sapatarias, restaurantes, açougues, peixarias, lotéricas... Aquele relógio que está no Calçadão, de duas faces, estava no Mercado, que só ganhou as torres em 1914.  Escrevendo isto, aqui, agora, talvez eu explique as vezes em que meu velho pai olhou para aquele lugar com tristeza, ele que nasceu com as torres. Sabe-se lá não era saudade de um tempo que não vivi?

É uma pena...
Temos muitas histórias tristes. Dignas de esquecimento. Mas que não devem ser esquecidas, como a degola do Rio Negro. Ou antes, o assassinato de um imigrante italiano empreendedor. Temos histórias de preconceitos e várias de demolições. Coisas que devem ser contadas, também. Porque esta semana não vi um Brasil na TV, não lembrei do futebol arte. O que me fez pensar que é uma pena que nos acostumemos com tanta naturalidade a perder nossa identidade! Perder nossa memória, nossa dignidade!
Somos tristes, muito tristes! Um bando de desmemoriados!

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Mercúrio e lua em virgem mobilizam sua vida social e amizades neste período. Venus e sol unidos em leão ainda beneficiam sua carreira e vida profissional. A fase é ótima para a comunicação e novos contratos.

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Capricórnio

Mercúrio e lua em virgem aceleram seus projetos e planos futuros e assuntos relacionados a viagens longas e contato com estrangeiros. Fase de grande otimismo e espiritualidade renovada. Amor em alta.

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Venus e sol em leão continuam mobilizando contatos e parcerias e melhorando seus relacionamentos afetivos e de amizades. A fase é das melhores. Cuidado apenas para não se deixar levar por pensamentos negativos.

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