Bagé / RS, Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
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Gladimir Aguzzi
Coluna: Papo de Elevador
Papo de Elevador

Papo de elevador

Brasil, meu Brasil brasileiro
Neste Papo de Elevador vou entrar um pouco na seara do meu amigo Edgar Muza. Prefiro informar e opinar sobre acontecimentos da aldeia do Índio Ibajé. Mas, hoje, em especial, demonstrarei meu pesar por um Brasil que tem em sua história dois presidentes presos por corrupção. Embora Michel Temer ainda esteja sob investigação e pode até estar solto no momento em que os leitores do Folha do Sul estejam folheando o jornal. Ou não.

Mulato inzoneiro
Os gritos de “urras e vivas” pela prisão dos ex-presidentes, embora compreensíveis, são gritos que ecoam sarcásticos. Triste para um país que não consegue evoluir por essas mentes doentes que chafurdam na lama quando orbitam o poder ou pousam no poder.
Estamos assim desde o descobrimento, no tempo do Brasil colônia, depois no império e mais tarde na república.

Bamboleiro que faz gingar
A família real aportou no Rio de Janeiro em 1808 em uma fuga espetacular, abandonando o povo português ao jugo francês de Napoleão. Só voltou para Portugal quando correu o risco de perder o reinado, deixando um herdeiro despreparado para um país continental, mas levando o que restara de nossa riqueza. Sem fortuna, eira e beira, o príncipe fez a independência.
A seguir, também a sucessão de Dom Pedro I foi um ato cruel.

Abre a cortina do passado
A República chegou controversa, sob um golpe político, que pegou contra vontade até mesmo o marechal que se tornou o líder do movimento. Deodoro da Fonseca era fã da monarquia. O novo regime durou apenas 40 anos em sua primeira fase, em meio a dezenas de revoluções e revoltas, até que implodiu em 1930 com a pretensão de uma fênix sob o comando de Getúlio Vargas, um pupilo de Júlio de Castilhos, o ditador do Rio Grande.

Terra boa e gostosa
Na segunda fase da República duas ditaduras, a primeira de novembro de 1937 a janeiro de 1946; a segunda, de 1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985. Nesse meio tempo, suicídio, renúncia, golpes e mortes inexplicáveis. Havia um Brasil republiqueta, tal e qual a maioria dos países da América Latina.
Imponente, gigante, verde, azul e variável de norte a sul, o maior país do hemisfério Sul teve roubada a capacidade de conhecer-se. E não conhecia a própria força.

Esse coqueiro que dá coco
A Nova República iniciou com a morte de um presidente que não assumiu, Tancredo Neves. Em seu lugar, um vice que viera das fileiras da ditadura recusada pelo povo, José Sarney. O vice, representando o que o povo não queria, agora assumia o poder. Era tudo o que o povo não queria. No entanto, foi assim que aconteceu. Em eleição indireta.

Essas fontes murmurantes
Depois, o Brasil reconquistou o direito de votar para presidente e votou no presidente errado: Fernando Collor de Melo. Cassado no mandato.
Assumiu o vice, Itamar, com cara de sonso. Deu certo. Só que durou dois anos. 
Mais tarde foi a vez da esquerda tomar conta do país. Um operário. Sindicalista. Uma guerrilheira revolucionária. Um país chafurda na lama da corrupção, com mãos sujas de pré-sal, copa do mundo e olimpíadas. Um país de mensalões e petrolões.
Até que o povo se cansa de se sentir cansado.

Lindo e trigueiro
O povo cansado não sabe em quem votar. Porque não tem em quem votar. As pessoas que se mostram interessadas no Brasil não demonstram que podem mudar alguma coisa para melhor. Então, ficamos à mercê de uma boa vontade iluminada, que diga o que se quer ouvir, melhor que Collor em 92, que FHC, em 94, Lula em 2002 e Dilma em 2010.
Eis, então, que surge de volta o Brasil Colônia, Império, República Velha e Nova, Ditaduras e Diretas Já.

Ah, meu Brasil brasileiro
Assim, obedecendo a linha do tempo chegamos a Jair Bolsonaro. E, também, a conclusão que é impossível culpar o povo brasileiro por qualquer falha na sua capacidade de discernimento. São muitos anos de complô, de armação, de subjugação, de planos e projetos para tornar as pessoas o que as pessoas são: incapazes de reflexão.
Não estou dizendo que Bolsonaro era o pior para o Brasil ou o quarto, quinto e sexto pior. Não. Isso porque o Brasil formou nas vilas dos cafundós, nos shoppings da Paulista e nas universidades engajadas um monte de gente que não sabe pensar ou amadurecer a ideia do pensar. Ocas vidas do meu Brasil brasileiro, esse mulato inzoneiro.

Terra de samba e pandeiro
Portanto, meus caros leitores de todas as idades, ter dois presidentes presos é para nos envergonhar, não para urros e vivas. Ter dois presidentes presos não significa que se está limpando o Brasil. Não. Pelo jeito, parece que só estão sendo eliminados da fila que anda.
E a fila anda. O país, no entanto, continua parado.
Porque no frigir dos ovos, o congresso frita Sérgio Moro e a luta contra a corrupção.  

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