Bagé / RS, Sábado, 23 de Junho de 2018
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Cássio Lopes
Coluna: Cultura
Perfil: Escritor, pesquisador, ambientalista e fotógrafo
Cultura

Quem meu deu um soco?

Crédito: Reprodução/FS

Por volta da década de 1960, Oscar Chaves estava em sua casa jogando truco com seu pai e tios. Lá pelas tantas enjoou de tanto jogar e resolveu ir a um baile no salão do seu Estácio, na vila de São Martim. Era uma noite escura e a tal chuvinha de molhar bobo tomava conta do horizonte. Chegando na frente do salão encontrou seu irmão, conhecido popularmente como “Mano”, de porteiro do baile. Entrou no recinto, sentou-se na frente do balcão, tomou uns tragos de canha a despacito no más, deu uma bombeada ao redor do salão e percebeu que o movimento estava mui fraco.
Passando uma hora, viu que não ia se criar o baile e resolveu dar volta para casa. Nisso, um cuera negou-se a entregar seu “ferro branco” na portaria, gritando bem pachola: “Não entrego arma pra bagaceira”. Esse deboche seria motivo de sobra para colocar qualquer xirú  “a la cria” porta afora. A não ser que fosse um amigo de infância que desejasse chamar a atenção do companheiro que há tanto tempo não via.
Em seguida, Oscar despediu-se e convidou seu amigo Júlio para ir embora. Júlio, que também não tinha gostado do baile, aceitou de vereda. E se bandiaram os dois estrada afora em direção às casas. No caminho trataram de ir para a casa do Oscar, na qual iam tomar mais uns tragos e jogar umas partidas de truco.
Chegando lá, de pronto, o pai de Oscar, Augusto Chaves, perguntou como estava o baile e Júlio respondeu: “Tava mais ou menos” e inventou de comentar: “Tu sabe que um cuera se negou de entregar a adaga para o Mano”?
O velho tinha o pavio curto e qualquer coisinha era motivo para briga, pois adorava um bochincho.  Então, Augusto respondeu: “Ah é!!! E quem é esse sem  vergonha?:”  Júlio disse: “ Nome não sei... só  sei que é um baixinho, moreno, de bigode...” e o velho completou: “mas agora ele vai ver o que é bom pra tosse”. A partir desse momento não teve jeito de atacá-lo, pois baixou a cabeça feito um touro, bufando e abrindo cancha em direção ao baile.
Chegando lá, indagou ao Mano quem era o tal baixinho, moreno, de bigode, sem vergonha, que tinha se negado a entregar a arma.  E mano explicou que era um conhecido que tinha feito uma brincadeira. Depois de tudo esclarecido, o velho se chegou pro balcão e pagou bebida pra toda a indiada. E foi aquela alegria no salão. Depois de umas quantas rodadas, o velho acabou tomando uma borracheira e logo se sentou bem no canto dum banco, desses de campanha, já adormecido de canha. Nisso, Júlio resolveu acertar contas com um tal de Senir, com o qual tinha uma rixa que carregava desde criança. A briga se estendeu pelo salão e em questão de segundos o bochincho se formou. A indiada, que estava sentada no mesmo banco que Augusto, se levantou de vereda, fazendo assim com que o banco virasse com tudo por cima do velho, lhe dando aquele tombaço. No mesmo instante que caiu, o homem deu um salto, já de arma em punho, e perguntou enfurecido: “Quem me deu um soco?”. No momento que o velho ia apertar o gatilho, Oscar, vendo o perigo, calçou sua mão na arma do velho e a levantou pro alto, evitando que o pior acontecesse, pois o trabuco cuspiu fogo e furou o telhado do salão. Depois que baixou a polvadeira a indiada decidiu levar o velho embora. No caminho da casa aproveitaram e deram vários tombos no velho, deixando-o cair nas sangas pelo caminho, pra curar a ressaca. Depois desse dia em diante, queria despertar a ira do velho era só lhe perguntar: “Quem me deu um soco?”

FONTES: Lopes, Cássio Gomes. “Batendo Tição – Causos de Gauchadas”, Bagé, Pallotti, 2016. 131 p.  

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