Bagé / RS, Sábado, 20 de Abril de 2019
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José Brasil Teixeira | Porto Alegre/RS
Coluna: Opinião
Opinião

Entrar no céu

Desde  os tempos remotos, quando os homens conceberam a existência de um comando superior, um deus nas suas mais variadas formas e, psicologicamente, também, premido pela negação da evidente,  inevitável e regular ocorrência da morte - da qual toda a mente sã tem aversão, até por instinto de conservação – este, um componente inato - depois, mais tarde codificado por Freud como sendo parte de um conjunto instintivo chamado ID.  Pois, desde esse tempo, o homem concebeu, junto, a existência da vida eterna, a qual com o avanço dos séculos e mais modernamente, através da ciência, vem se confirmando de forma mais próxima do conhecimento científico regular, na forma de uma outra dimensão.
Mas, principalmente, desde os tempos que se seguiram,  em que foram surgindo as religiões, em seus mais variados formatos e credos, às quais, baseados e orientados pelo deus que concebiam, deram um código ético  para si  e  seus pares, seus  seguidores, num ecletismo sustentado, ensinados quase sempre por quem se julgava superior em seus conhecimentos da existência divina, como os seus profetas ou seus ministros, e das quais muitos se tornavam donos e arautos e que conduziam massas, usando para tal, muitas vezes, de condutas que o concebido e próprio deus não aprovaria...
A par dessa multiplicidade de concepções e comportamentos, essas formas, muitas vezes escravizantes, difundiram-se e consolidaram-se, nos quatro recantos do mundo e na mais profunda intimidade de cada ser, seguindo variantes sobre o mesmo tema, ou seja, a necessidade de crer- ou de ter que crer - em algo que lhe orientasse em uma direção correta, segundo a moral e cultura do local, ou nem sempre,  e que fosse sustentado  pelas evidências, pelo conhecimento e pela fé, espontânea ou de manifestação compulsória.
Entretanto, sempre existiram e existem aquelas pessoas, mais numerosas que possamos imaginar, as quais, por muitas circunstâncias, inclusive por opção pessoal, nunca entraram em uma igreja, professaram uma fé religiosa ou juntaram-se a  qualquer turba sectária, ainda que sem as desdenhar.
 Mas, sem nunca deixar de pautar suas vidas e condutas íntimas e sociais de forma onde não estivesse contida a bondade, a caridade, a tolerância, o equilíbrio e a misericórdia. Pessoas de bem, com paz interior, com harmonia, com bons sentimentos e bons pensamentos. Dotadas de humildade, de serenidade; calmas, com capacidade de doação ao próximo de muitas formas, com boas intenções, boa intuição, empatia e simpatia. Que sempre incluíssem ou incluem em suas condutas a cordialidade, o acolhimento e a agregação. Que buscam a convergência e o bom convívio íntimo e com seus pares, que praticam o acolhimento indiferenciado, com perseverança, sensatez, comedimento... E que se distribuem desinteressadamente, com educação singela, suavidade, controle emocional e autoconhecimento; com paciência, confiança e fé no bem, sem fanatismo.
Aquelas mesmas pessoas que tratam a ocorrência do bem e do mal com a mesma serenidade, bem compreendendo e bem diferenciando, com sabedoria inata, além do conhecimento adquirido e o discernimento natural, o verdadeiro significado dessas duas condições antagônicas, bem como de seus efeitos e desdobramentos. E que a respeito delas, agem e reagem com a mesma proporção e naturalidade, sem se deixar  envolver de forma que os inviabilize em suas  existências...
Pessoas que são calmas e mantém a confiança em bondosa ajuda superior e mais esclarecida de um ente ou entes, os quais instintivamente pressente existirem, mas que não sabe bem definir por que não bem os compreende, mas dos quais não desacredita, até por instinto. Algo como seu(s) anjo(s) da guarda, dos quais ouviu falar de forma pouco esclarecedora ou até, ocasionalmente, algo mais superior que tais entes. Bem como nas boas oportunidades que por eles são ofertadas, principalmente nas horas de risco, com bom aproveitamento. Mas que nunca esquecem de emitir um ”obrigado” à providencial ajuda metafísica.
Que mantém sob controle atos, possivelmente, impulsivos e impensados, os quais possam prejudicar a si ou a outrem. E que tem conhecimento e controle sobre atos egoístas e arrogantes.
Que se indignam contra o que entende errado, contra as injustiças da vida e dos homens...e que até sentem uma ponta de raiva, mas que a mantém sob controle. Pois a raiva, sabidamente, enferruja  e mata  a sua vitalidade...e o rancor, então, que é a raiva ruminada e sabe que apodrece a alma . E que relegam a maioria das pequenas coisas negativas do dia a dia e que lhes são desgostosas... Sabendo que é inútil querer reformar o mundo, uma vez que com o passar do tempo ele se auto-regenera, caso contrário a humanidade não estaria mais aqui, em crescimento e ascensão.
Que cuidam do corpo como sua morada, entendida, instintivamente, como transitória, bem como sendo através dele que sua raça pode se multiplicar e, assim, se perpetuar. Mas que, sobremaneira, cuidam do equilíbrio e da sanidade de suas mentes, base da saúde completa.
Que têm sabedoria e conhecimento, adquirido através das informações disponíveis mas, principalmente, dos exemplos que a vida lhe proporciona ou muitas vezes impõe e que lhe chegam através de uma acurada e inteligente observação. Um conhecimento sem escravidão ou distorções, de uma ciência absorvida com parcialidade e que resulte num saber sem exclusividade e em progressão.
São pessoas que acreditam na impermanência de todos acontecimentos e circunstâncias da condição humana e planetária. E que acreditam no progresso, entendendo que “hoje deve ser melhor que ontem e amanhã melhor que hoje”. E, assim, indefinidamente, até chegar perto daquilo que entende como uma plenitude de bondade e serenidade íntima e pacificadora  e com um alinhamento de seu interior, com o qual conversa, seguidamente, em momentos de prece alentadora, cuja base é o silêncio e, ocasionalmente, a necessária solidão que lhe amplia os horizontes.
Mas que, sobretudo amam a seu jeito, rústico ou refinado, buscando, assim, serem amados e respeitados (tanto quanto respeitam) e que acreditam e buscam a felicidade.
Que sabem mais dar a quem precisa, do que receber, impessoalmente; que sabem se distribuir entre seus próximos e entre alguns que lhe são até remotos, para os quais se doa em atos de afetividade, positividade e grandeza.
E que, no entanto,  com tudo isso de bom em suas condutas habituais, nunca foram a uma igreja, nunca pertenceram a uma seita, credo ou religião, isolados o quanto possível das abstrações ou do materialismo.
Será que com uma vida correta assim, uma pessoa, ou essas pessoas, com essas qualidades, mesmo “ateu(s)”, será(ão) barrada(s) na entrada daquilo que a maioria concebe como sendo... o Céu. E pelo qual, quase a maioria da humanidade passou vida toda comportando-se de forma menos espontânea e mais interessada, com medo de perder seus prometidos benefícios em uma vida eterna ?

Texto revisado pelo autor.
 
      

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