Bagé / RS, Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019
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José Brasil Teixeira | Porto Alegre/RS
Coluna: Opinião
Opinião

Sobreviver à adolescência

Acontece que a criança cresce soberana em sua pequenez, protegida em todas as formas possíveis de qualquer perigo ou mau passo, pela mão adulta e protetora. Sendo sempre perdoada de tudo, diz-se, por ser criança. Ainda que seja repreendida, ensinada e corrigida. Ser criança é quase estar no céu com nuvens de algodão, que formam imagens passageiras que logo se dissolvem e se volvem em novas formas a serem descobertas pela imaginação, num ritmo incessante, mas volúvel, onde nada é ansiedade ou pecado na irresponsabilidade da idade. Uma vida apenas de pode e não pode, associada, preferentemente, a um não padecer pressão de forma alguma, onde se faz poucas perguntas complicadas e se pratica recuos automáticos e espontâneos.
O aprendizado contido nas vivências de criança age, então, como uma entronização de ingredientes em sua vida (e vindos de fora dela), na mente infantil; sensação ímpar, que só acontece desse modo nesse tempo.
No entanto, tudo isso é muito diferente da pressão a que está submetido um adolescente! Principalmente, porque, quando criança, não lhe foi ensinado totalmente, de forma a assimilar para dentro de si, como introjetar outros aprendizados, que em determinado momento ela iria ter transformações em seu corpo e que de menina ou menino começaria logo a ficar adulto. E, de repente, uma surpresa!  Em pouco espaço de tempo, nascem os pelos, crescem as mamas, surge a primeira namorada, as primeiras manifestações sexuais explodem como uma força incompreendida, a masturbação é cumprida num ritual de prazer e pecado, numa ambivalência de único prazer às escondidas. Além de muitas perguntas sem respostas e todas elas com enorme poder de gerar ansiedade, marca registrada da idade. Até aí, neste início, o sexo é uma circunstância que se sabe que existe, mas que é desconhecida ou experimentada de forma muito complicada. Cuja descomplicação é dolorosa, lenta e gradativa, podendo acabar em severas dificuldades que se arrastarão pela vida afora. Mas, sem dúvida, o mais difícil neste início, talvez, seja conviver com forças internas, hormonais, biológicas, que exercem poder e domínio absoluto sobre o recém-modificado organismo. Tudo acontecido de forma súbita e só bem compreendida com a vivência real ou até depois dela. Da mesma forma, como é difícil dominar o corpo que amadurece e ruge através de uma mente em amadurecimento, com controle e equilíbrio insuficiente, esquivando-se dos habituais conflitos. É nesta fase, então, que se aprende um novo pode e não pode, diferente do tempo de criança, quando precariamente se pesa oportunidades e ocasiões, riscos e benefícios. É nesta idade que se aprende a sublimar e a projetar, a relacionar ou diferenciar sexo e afeto, vivências bem mais complicadas que aquelas da infância, pois que é feito agora sob uma maior pressão, compatibilizando fatos biológicos, psicológicos e sociais.
Mas, não só pelos envolvimentos relativos às modificações do corpo e às pressões da libido padece o ser adolescente. Este, via de regra, tem um particular afeto pela vida, é solidário, grupal e desprendido, o que o torna puro e cheio de boas intenções; as quais precisa compatibilizar com a sua natural inexperiência e impotência frente a realidade dos fatos. E, entre a intenção, a qual a seu modo é bem pensada, e a execução, com frequência resta uma amarga frustração. Assim, se na infância frustrava-se com possíveis pequenas perdas afetivas e com a maior delas, a grande perda afetiva dos pais, na adolescência as vivências lhe proporcionam, ou muito prazer, que pode ser até fictício, ou grandes frustrações, por não se encontrar consigo e com os demais. Ou correr o risco de perder-se de si próprio. O que é diferente, também e principalmente, pela expectativa e afeto empregado em seus atos e suas relações.
 E, por ser tudo novidade, por nutrir a ilusão misturada à realidade, pensa-se sábio sabendo-se limitado, frustra-se com freqüência e nesse tropeça, cai, levanta torna-se inseguro. Extremamente necessitado de atenção e aprovação, em suas primeiras ligações amorosas acabam, com facilidade por apaixonar-se, buscando segurança na extensão de sua realidade imatura onde seguidamente colhem amarguras e desvios crônicos na visão real futura que deva ter destas experiências. O que, por consequência, torna o platonismo uma maneira mais segura de se intercambiar afetivamente, pois que, desta forma, controla a seu modo os seus vai e vem sentimentais, empurrando para a frente as decepções.
E, se for preciso, vestem-se sem nenhum gosto, desde que sejam iguais aos seus iguais, numa forma de igualar-se à massa, o que em parte esconde-lhe as identidades, que ainda são sabida e sentidamente incompletas. Como fazem assim, também, sendo iguais aos outros, para que possam tornar o seu estilo de vestir menos vulnerável, numa forma de defesa.
E, como senão bastasse todo o sofrimento descrito que lhes concede a idade e suas circunstancias, os adolescentes na busca do crescimento, partem em busca de uma definição profissional, dificuldade  que lhes acarreta grande angústia. Também nesse particular, por ser a idade da dúvida, a mais esta dúvida se submetem.
São assim os jovens, que se sabem assim e que quando estão em grupos, onde se sentem fortes e seguros, gritam como bichos ou como selvagens a sua insegurança, para que os ouçam. E, tudo por não saber falar e argumentar. A adolescência é este delicioso, mas pesado, inseguro e sofrido vestibular da vida adulta!

Texto revisado pelo autor!

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