Bagé / RS, Domingo, 16 de Junho de 2019
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Edgar Muza | Bagé/RS
Coluna: Política
Perfil: Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Política

Não está afinando o violão com a gaita

 
Nelson Rodrigues já afirmava que “a unanimidade é burra”. Então, não podemos querer que decisões governamentais fossem aprovadas por todos os seguimentos políticos. Cada partido, independente de ser, ou não, coligado com o governo, pense da mesma maneira. Isso é quase impossível. Não sei se o “quase” serve para enfatizar o impossível. Mas vamos lá, serve para análise. Se analisarmos o que está acontecendo no Brasil da era Bolsonaro, seus próprios seguidores estão contrariados com algumas decisões. Dentro do próprio partido há oposição. Tem quem defenda cegamente as decisões e aqueles que a criticam. Já têm políticos ameaçando  mudar de partido. Também não é novidade. Entre os argumentos usados para a intenção, o mais comum, é “estou sem espaço”. Estar sem espaço é não ser ouvido. É não ter alguma “boca” governamental para abrigar os indicados. Então, neste aspecto, seguindo a análise, pouca coisa mudou. Mas faz parte do jogo. A bola da vez é a decisão do presidente em suspender o aumento do diesel.    Ora bolas, se ele mesmo afirmou que não entende de economia, pelo menos, deveria consultar Paulo Guedes, seu guru no tema. Pelas declarações do próprio ministro, tentando amenizar a decisão do presidente, deixa transparecer que “o bicho tá pegando”.
 
 
É possível consertar
Foi o que declarou, nos Estados Unidos, o ministro da economia, Paulo Guedes. O presidente tomou a decisão, aparentemente sem consultar ninguém, após ameaça dos caminhoneiros “de entrar em greve”. E aqui vem algo que poderia complicar o abastecimento e deixar um prejuízo tão, ou maior, que a greve anterior. Isso não se encaixaria na parte “política”, quer queiram quer não, o governo está sempre atento. Decisão governamental “que não seja razoável, uma simples conversa conserta tudo”. Então, preparem-se, para uma decisão mais política do que econômica. A conversa vai acontecer e o presidente vai acertar um aumento não tão grande (5,7) que o desmoralizaria, nem tão pequeno que desmoralize seu ministro. Pelo menos é a prática que convivemos nos últimos anos, na política brasileira. A decisão se refletiu na bolsa.
 
Ações da Petrobras caíram 8,5% em um dia
 Cá com meus botões pensei (às vezes o faço) muita gente comprou na baixa. Como se sabe, quem investe na bolsa ou no dólar sabe a hora de comprar e de vender. Sabe também que “decisões precipitadas”, a maioria das vezes, é provocada por “boatos” dos próprios investidores. Vender dólar na alta e comprar ações na baixa (e vice-versa) é a prática do mercado. E aqui vem outra constatação que o próprio governo está “batendo cabeça”. A decisão foi tomada após o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, receber dos líderes dos caminhoneiros a ameaça de greve caso não fosse suspenso o aumento. Onyx e Bolsonaro não se lembraram de avisar o ministro da economia. Tomaram decisão direta, o que causou mal estar nas “hostes palacianas”. O governo atual, assim como o anterior, tem como base a tal “política de preços da Petrobras”, para, pelo menos, manter o bolo da arrecadação no mesmo patamar. Nas últimas decisões, o aumento do bolo se fez sentir. E isso ajuda estados e municípios que fazem parte  do bolo. Quanto mais arrecadação via impostos, mais dinheiro nos cofres públicos. E aqui não escapa ninguém: União, estados e municípios. Certo?               
 
O PSL cada vez se aproxima mais do PT
 Isso quem afirmou foi Janaína Paschoal, deputada do PSL, em São Paulo. Para quem esqueceu, ela foi uma das protagonistas do pedido de impeachment de Dilma Roussef. Então, me fez lembrar a política em Bagé. A raiva contida em cada declaração de políticos, da dita esquerda e direita, com cuspe no canto da boca, fez com que eu comparasse nossa política com uma “ferradura”. Não no sentido que muitos pensaram na época, ou seja, nossa política era “cavalar”. Pode até ter um duplo sentido, mas a intenção era que os “extremos se aproximassem”. O radicalismo de esquerda e direita (hoje está tudo misturado) os tornava semelhantes. Pois, Janaína resumiu isso com a frase que encabeça este tópico: “O PSL está cada vez mais parecido com o PT”. É?
 
Constatação para os incrédulos
 É mais fácil ganhar fora do que em casa. Foi o caso do Grêmio Bagé. Boa parte da torcida ficou de “cabeça baixa” no empate contra o Inter de Santa Maria. Ali, para muitos, o Bagé tinha perdido a classificação. A vitória contra o São Gabriel, mesmo não jogando o que se esperava, confirmou a estatística. Certo?       

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