Bagé / RS, Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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Edgar Muza | Bagé/RS
Coluna: Política
Perfil: Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Política

Três meses de governo mostra a mesma coisa

Cada cidadão pode pensar o que quiser sobre as mudanças de governo. Quem votou em determinado candidato pode defender suas decisões com “unhas e dentes”, principalmente quem faz parte do próprio governo. Quem perdeu a eleição, não encontra nenhum mérito e muitos menos nenhuma mudança no que até aqui foi praticado. Têm eleitores que fazem parte da “coluna do meio” que não estão nem aí para o que está sendo debatido. São aqueles que esperaram a última hora para decidir o voto. A maioria levados pelas “pesquisas eleitorais” e sempre se acostumaram a votar em quem está na frente. Como sempre, costumo comparar a política a um jogo de futebol. Uma equipe que está buscando ganhar um campeonato, ao entrar em campo, em partida decisiva, resolve atacar o adversário que procura se defender com unhas e dentes. Decorrido os primeiros 30 minutos, os ditos superiores tecnicamente, se apercebem do perigo e diminuem o ímpeto de ataque. Sentiu o perigo de ser vencido. Assim, eu analiso os três meses do governo Bolsonaro. Saiu pressionando o time adversário que era compostos em sua maioria por “jogadores experientes”. Baseado em sua torcida que era enorme (55% do eleitorado) foi ao ataque com tudo. Começou a levar bola nas costas, inclusive, dos apoiadores. Cometeu alguns erros primários de quem é novo no cargo. Baseado em seu discurso de campanha, atacou com tudo que achava ter direito. E aí, sentiu a possibilidade de perder o jogo. Menos mal que em seu time tinha alguém que pensava antes de decidir. Sua meia cancha era composta de veteranos em “estratégia”, que começou a cadenciar o jogo. Ao mesmo tempo, ele (Jair) tinha um rolo compressor a sua volta que atacava e dava “balão” para tudo que era lado. Eram seus filhos que, para mim, cumpriam uma missão: a de agradar os eleitores mais ferrenhos. Creio que, após três meses, ele se apercebeu que “o buraco era mais embaixo” (perdoem a expressão). Não se cutuca fera com vara curta. Resolveu negociar. Ou seja, a velha política tinha que ser combatida com inteligência. As mudanças terão que acontecer, mas não de uma hora para outra. O jogo tem que ser jogado nos 90 minutos. Então, aconselhado pelos “moderados” assim procedeu.      

Não estava preparado para ser presidente
A troca de comando no Palácio do Planalto, mesclada com técnicos, políticos e estrategista militares, encheu a camisa de quem até então, não havia diferenciado a campanha eleitoral, tão pouco seus discursos inflamados, do mandato que assumia. Então, para mim, afirmou que sempre “foi preparado para ser militar e não presidente da República”. A partir daí, começou a negociar. Cargos à disposição de partidos que poderiam lhe dar maioria no Congresso. Seu objetivo sempre foi, assim como de Temer, em aprovar a reforma da Previdência. Seu antecessor (Temer) conseguiu a reforma trabalhista. A troco de muitas concessões e cargos, além de liberação de emendas parlamentares. Mas não teve tempo de fazer a da Previdência. A área econômica de Temer deixou um projeto “pendurado” no Congresso. A nova área da economia resolveu enviar outro, com algumas modificações, dizem que mais violentas do que a do antecessor. E aí começou a “pendenga”. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, seguiu o roteiro inicial e disse que a prioridade seria votar a que já estava tramitando, ou seja, a de  Temer. Debate público, autêntico barraco na linguagem popular, acender a luz vermelha no núcleo duro do atual governo. Para complicar ainda mais, os institutos de Pesquisas, sempre eles, mostraram ao governo que sua aprovação não era parecida com a votação que a população lhe concedeu. Ou mudava a atuação dentro do “jogo” ou poderia perder a partida. É claro que a mudança de estratégia terá grande influência na aprovação das reformas. Não como o governo quer. Mas tudo será negociado harmonicamente. O empate serve? Serve. Então, vamos jogar pelo carnê. O adversário mostrou ser forte. A frase bíblica (é dando que se recebe), popularizada por Roberto Jefferson, ao denunciar o mensalão, continua presente nos escalões da República. Nenhuma novidade. Faz parte do jogo. Ou não?      

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