Bagé / RS, Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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Edgar Muza | Bagé/RS
Coluna: Política
Perfil: Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Política

Bolsonaro desagrada os dois lados

Às vezes, fico pensando sobre declarações de políticos que soam como estapafúrdias. E na realidade o são. É o caso da “língua sovada” do presidente Jair. Não tem papas e vai dizendo o que lhe vem à mente. Entre tantas outras em que ele não separa seu ex- cargo de deputado, com o de presidente da República. Uma delas foi o anúncio de mudar a embaixada brasileira para Jerusalém. E aqui não vai nenhuma preferência por qualquer um dos lados. Acho que cada país é independente e como tal deve ser respeitado. Como sabemos, árabes e judeus vivem em guerra há séculos. Ao invés de tentar aproximara-se de ambos, tomar partido por um lado, chega a ser provocação barata. Não podemos esquecer que ambos são nossos compradores. Exportamos nossos produtos e valorizamos nossa produção. Isso trás dividendos para o Brasil. Balança comercial em que levamos vantagem. Exportamos mais do que importamos. Quando a gente pensa que terminou vem outra bomba. Após anunciar a transferência da embaixada brasileira, promessa feita ao primeiro-ministro em visita ao Brasil, agora mudou de ideia, em sua viagem a Israel. Anunciou apenas um escritório de negociações em Jerusalém. Sabe o que aconteceu? Conseguiu desagradar ambos os lados. Já pensaram se os dois países decidirem complicar as importações do Brasil? Estamos quebrados. Será que tudo o que ele declara passa pelo crivo de algum assessor? Se isso acontece, este assessor está colocando o presidente em cheque. Agora, se ele não dá a mínima para conselhos, então temo pela duração dele na cadeira presidencial. A última hipótese, pouco provável, mas não descartável, é que tem gente que o rodeia torcendo pelo pior. O velho e conhecido “fogo amigo”. Porque não é fácil entender onde Bolsonaro quer chegar. Agora mesmo, por ocasião da determinação para que as forças armadas comemorassem a ditadura de 64, ele teria postado uma matéria nas redes sociais que toda a imprensa brasileira deu ênfase. Perguntaram ao Mourão, vice no exercício da presidência, o que ele achava da matéria? Respondeu com toda a tranquilidade: Isso é o entendimento do presidente que o escreveu. Nada foi combinado com o núcleo que o rodeia. É aquela velha história “quem pariu Mateus que o embale”. Pelo bem das relações comerciais brasileiras e respeitando o direito dos demais países, alguém tem que falar “sério” com o presidente. Que suas declarações sejam submetidas à análise porque o que está em jogo não é a família, é o povo brasileiro. Calma e caldo de galinha não faz mal, tá?
  
Aconteceu o esperado. Liberou geral
Sempre que dependermos de decisões de terceiros estamos sujeitos a negociações. Ninguém negocia de graça. Por isso é negócio. Mas isso é o óbvio. Mas sempre é bom lembrar: o que é óbvio para uns não o é para outros. Quem não sabe que a política brasileira é baseada no “é dando que se recebe”, não está por dentro da realidade. Em campanha eleitoral, já vimos de tudo. Para ganhar eleição também vale de tudo. O que é lastimável. São as promessas mirabolantes que tem levado vantagem perante o eleitorado brasileiro. O combate à “velha política”, assim como a metralhadora na mão, foi o discurso vitorioso na última eleição. A eleição terminou e o governo se estabeleceu pelo voto da maioria do povo brasileiro. A partir da posse esperava-se que pelo menos, o governo estivesse disposto a negociar. Não estava. Ao contrário, segui defendendo o discurso de combate à velha política. Apostou na renovação do Congresso, que atingiu 50%. Mas não olhou para o restante dos componentes emergentes da velha política. O presidente conseguiu a façanha de se incompatibilizar com quem lhe deu apoio na campanha eleitoral, ajudando sua eleição. Foi o caso de Rodrigo Maia, que mostrou a força como líder da Câmara de Deputados. Depois de bate-boca público, autentico barraco, a “luz vermelha” acendeu no palácio. O que tivemos ontem foi a comprovação que a “velha política” continua forte no Legislativo. Coisa já aventada por muita gente que acompanha a política brasileira. O governo aderiu à velha política. Leiam:

Terça-feira de negociações
Equipe econômica e de coordenação política realizaram maratona de reuniões para tratar da reforma da Previdência, “bala mais importante na metralhadora governamental”. O ministro Onyx,  da Casa Civil, recebeu parlamentares de 18 estados, coordenadores de bancadas estaduais, para discutir indicações para cargos federais nos estados. Pronto, liberou geral, coisa já esperada pela força que tem a velha política. Ela só perderá força quando a população “correr” pelo voto, com os 50% restantes que se reelegeram. Mas isso é um tema para outra coluna. Constatação: aconteceu o esperado. Certo?
 

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