Bagé / RS, Sábado, 23 de Maro de 2019
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Edgar Muza | Bagé/RS
Coluna: Política
Perfil: Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Política

Muitos colocam chifre em cabeça de cavalo

Antes de mais nada, deixo claro que, muitos comentários e opiniões que expresso publicamente, sobre fatos que acontecem, são levados pelo caminho que eu “estou vendo chifre em cabeça de cavalo”. O pior é que o tal chifre aparece. Entre eles: a morte de Juscelino Kubitschek; Castelo Branco; Celso Daniel; Eduardo Campos e  Teori Zavascki. Esses são alguns fatos que vem à memória. As conclusões a que chegaram, tenho certeza, não convenceram muita gente. Ainda mais aos “desconfiados”, tanto quanto eu. Os fatos que acontecem dia a dia da política quase sempre me trazem à mente estes “acidentes”. Desta feita, foi um comentário escrito pelo jornalista Luiz Carlos Azedo, colunista do Correio Brasiliense, um dos que costumo acompanhar e concordo com muitas opiniões suas, desta feita não comungo inteiramente. Em sua coluna de ontem, sexta-feira, o título chamou atenção. 
  Nas entrelinhas: a passagem de comando
Aconteceu, ontem, a solenidade de passagem de comando da Força Terrestre, realizada no clube do Exercito, onde o general Eduardo Villas Boas passou o bastão para seu colega Edson Leal Pujol. Normalmente, a solenidade é discreta, mas a de ontem foi muito comentada. E este tema foi abordado pelo comentarista Luiz Azedo, às 7h42min, antes da solenidade. Portanto, ele estava antecipando sua “surpresa” pela ampla divulgação. Já de início fez um resumo dos últimos acontecimentos. Leiam: "Manifestações recentes dos comandantes militares e do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, sobre a reforma da Previdência, revelam um ativismo político preocupante”. Aqui, parei para tentar entender. Acontece que a reforma da Previdência, na opinião da área Econômica do governo, leia-se Paulo Guedes, deveria atingir a todos os funcionários públicos, principalmente, o Exército. E mostra um dado interessante: o aumento do déficit na previdência dos militares, de janeiro a novembro de 2018 foi de 12,85%, comparados com o mesmo período de 2017. E aqui vem a comparação: o déficit dos servidores civis da União foi de 5,22% em relação a mesmo período. É claro que o Exército quer defender aquilo que acha “ser seu direito”. A mesma coisa faz os representantes sindicais. Até aqui, tudo faz parte da democracia. Porém, e sempre tem um porém, está sendo trazido à tona declaração de Villas Boas, quando dos protestos dos seguidores de Lula, que queriam a soltura de seu líder. O general, que costuma usar as redes sociais para se manifestar para as tropas, deu margem para que muitos interpretassem como advertência ao Supremo. Leiam: “Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais? Asseguro à nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento as suas missões institucionais”. Pois Celso de Melo, ao votar favorável ao habeas corpus de Lula, em suas justificativas de respeito à Constituição, culminou por plantar a dúvida sobre as verdadeiras intenções da manifestação de Villas Boas. "As intervenções pretorianas no domínio político-institucional têm representado momentos de grave inflexão no processo de desenvolvimento e de consolidação das liberdades fundamentais”. Isso está sendo levado pelo comentarista Luiz Azedo, como participação política do então comandante do Exército. Isso eu considero, salvo melhor juízo, a plenitude do avanço da democracia. Todos os brasileiros, independente de sua função pública ou classe social, têm o direito de se manifestar, contra ou a favor, em qualquer tema. É que estamos acostumados, infelizmente, com o silêncio das forças armadas. Agora, pelo menos, mostram publicamente o que pensam. Diferente da ditadura, quando tudo era feito “às escondidas”. Ao mesmo tempo, deixa antever as discussões que acontecerão por ocasião da reforma da Previdência. Cada um defendendo aquilo que considera “seu direito”. Quem vai determinar, inclusive, sobre a prisão em segunda instância no Congresso Nacional. Antes, porém, deveremos ter a decisão do Supremo, pelo seu plenário, se mantém ou não decisão anterior de prisão em segunda instância. Algo que alguns juristas afirmam ser competência do Legislativo, porque mexe em artigo da Constituição. Para início de mandato, está de bom tamanho. Eis a causa pelas quais a “briga”, pela direção das casas legislativas, movimenta o noticiário. Não me perguntem no que vai dar. E aqui mais um ditado popular, hoje em desuso: “boca de urna, barriga de mulher e cabeça de juiz, só depois que abre”. Com o avanço tecnológico, o ditado perdeu a validade. Os mais idosos lembram. Certo?     

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