Bagé / RS, Terça-feira, 23 de Outubro de 2018
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Edgar Muza | Bagé/RS
Coluna: Política
Perfil: Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Política

Têm decisões que os leigos não entendem

Até agora estou tentando chegar a alguma conclusão. Mas está difícil. A Constituição determina que o cidadão “só pode ser preso após trânsito em julgado”. Isso quer dizer quando não tem mais possibilidade de recorrer de decisões judiciais. Ou seja, não há mais recursos disponíveis. O Supremo tomou decisão contrária, determinando a prisão após julgamento em segunda instância. Grande parte do Brasil aplaudiu. Outra parte está argumentando que “é o Congresso que poderia mudar artigo da Constituição”. Isso tudo porque, usando a decisão do Supremo, aconteceu a prisão de Lula. Têm alguns embargos que ainda não foram julgados que impediriam a prisão do líder petista. Essa pendenga judicial tem mantido o Lula na mídia nacional e internacional. Pois bem, lendo, ontem, o jornal O Dia, o mesmo fato deveria acontecer com Sérgio Cabral, que foi condenado em segunda instância, pelo TRF-4, e está condenado a mais de 100 anos. Ele pode concorrer e ter seu nome na urna eletrônica. Sabem por quê? Seus embargos ainda não foram julgados. E o que é pior, não têm data prevista para julgamento. Na realidade, os embargos de declaração não mudam nada em termos de sentença. Servem apenas para “empurrar com a barriga” o processo. E aqui está o xis do problema: “Enquanto isso não acontece, o Cabral não é considerado ficha suja”. Pode concorrer, mesmo preso. O Lula também, embora já tenha sido considerado ficha suja, pode se inscrever como candidato, o que já está decidido pelo partido. Com um pequeno detalhe: o TSE é que terá que decidir se ele está elegível ou não. O julgamento desses embargos do Cabral estava previsto para entrar na pauta ainda este mês. Acontece que o revisor do processo, desembargador Paulo Espírito Santo, passará por um procedimento cirúrgico nos próximos dias e sua recuperação demora mais de mês. Então, indo direto para os cálculos em cima das datas para homologação das candidaturas, chego ao seguinte, possível, final: Cabral poderia concorrer porque o TSE não vetaria seu nome como candidato, tendo em vista que ele ainda não está incluído na ficha suja. A previsão do retorno ao trabalho do desembargador relator, após cirurgia, é para o final de setembro. O TSE só pode julgar a inelegibilidade após a decisão final em segunda instância. Acredito que não possa ser nomeado um substituto para o revisor da matéria que está em tratamento médico. Será que não pode? Parece que não!                

Juíza decreta inelegibilidade de Flávio Dino
Na hora em que li a manchete, o nome não me pareceu estranho, porém, eu não lembrava quem era. Fui ler a matéria. Flávio Dino (PCdoB) é o governador do Maranhão que derrubou o clã do Sarney. Ele foi acusado de usar programa de asfaltamento de ruas do governo do Estado para beneficiar o candidato do PT, Luís Amovelar, nas eleições para a Prefeitura de Coroatá, em 2016. Ele concorreu contra Teresa Murad (MDB), que é cunhada de Roseana Sarney. Aí caiu a ficha. O marido de Roseana, enquanto ela era governadora do Maranhão, Murad, ficou conhecido pela explicação que teria dado à polícia no momento que encontraram, em sua escrivaninha, mais de um milhão de reais em “moeda sonante”. Até hoje, aquela investigação e o flagrante do dinheiro apreendido não deu em nada. No caso atual, ainda cabe recursos contra a decisão. Para mim, que seguidamente lembro do Sarney como arquiteto de parte do sistema de corrupção instalado no Brasil, fica a alegria de que “alguém ganhou dele em malandragem e uso da máquina pública em favor de seus candidatos”, O sujeito que conseguiu “passar o Sarney para trás deve ser considerado um gênio”. A pendenga entre a família Sarney e o atual governador acontece desde o dia que Flávio Dino ganhou a eleição para governador do Maranhão. Sai chispa e fogo pelas ventas.

Debate na TV é importante, mas não muito
Vejamos. Tenho acompanhado os reflexos dos debates, que acontecem desde a volta à democracia, e a conclusão a respeito da audiência televisiva não é lá essas coisas. Nunca passa, ao contrário, às vezes é menor do que os demais dias em que a programação é normal. Alguns candidatos que estão “na frente nas pesquisas” se negaram a comparecer. Se fosse audiência alta, ninguém abriria mão desse espaço. Agora, o Lula está proibido de participar. Tem muita gente gritando. Eu, como olho as coisas pelo lado prático, creio que ele leva vantagem em não comparecer. Vai acrescentar mais um ponto em sua campanha “eu sou vítima”. Grande parte da população gosta de votar em vítima. E, podem crer, a partir de hoje, os noticiários só falarão na ausência de Lula. Segue na mídia, agora com maior espaço. Será estratégia? Veremos!      

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