Bagé / RS, Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2019
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Edgar Muza | Bagé/RS
Coluna: Política
Perfil: Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Política

Preservar a natureza é vida

O mundo está preocupado com a natureza. Um dia teria que acontecer. Desastres os mais variados, provocados pela insensibilidade humana, colocam em perigo o próprio depredador. E quando chega ao estágio a que chegamos, bate o sininho do medo. A vida do cidadão passa a sofrer riscos. A poluição causada por produtos tóxicos, o calor provocador do degelo que aumenta o volume do mar, as tempestades, os terremotos e tantas outras coisas provocam nos poderosos o medo de morrer. E aí começam a pensar em soluções. Menos mal, ou antes tarde do que nunca. O desmatamento da Amazônia é outro fator, senão o mais importante, que provoca a poluição do meio ambiente. Pois bem, mas a indústria do plástico, que tem por base os subprodutos do petróleo, é uma das mais devastadoras. E aqui vai um testemunho de quem, como eu, entre tantos outros, viveu a década de 60. Para estudar em “colégio de padre”, como era conhecido o Ginásio Auxiliadora, precisava um esforço grande, financeiramente falando, dos nossos pais. Eles trabalhavam, como se dizia na gíria, dia e noite, para manter os filhos na escola. No meu caso e de meus irmãos, para termos um dinheiro extra, tínhamos que arrumar um “bico” nos finais de semana. Em meu caso, trabalhava em um armazém de secos e molhados. O velho Nenê Luz na diagonal da praça Santos Dumont. Quase em frente ao colégio Fernandes Figueira, hoje posto Sá Monmany. Pois bem, naquela época todos os produtos eram vendidos a granel. Não existiam sacos plásticos. Eram sacos de papel ou papel de embrulho, como era conhecido. Quase nem se escutava falar em poluição. Os refrigerantes vinham em recipiente de vidro. De lá para cá, a indústria “descobriu” um produto derivado do petróleo e, hoje, quase tudo vem em recipiente plástico. Ninguém, na época, apercebeu-se, embevecido pela novidade, que esses produtos, um dia, trariam graves consequências à mãe natureza. Já na década de 80 para 90, não saberia precisar a data, tivemos uma voz, alta e forte, contra o uso do plástico. O professor Remídio Garcia, que também foi vereador em Bagé, ocupando, inclusive, cargos no governo municipal, entrou em guerra contra os plásticos. Inúmeras vezes o entrevistei no Visão Geral, onde ele explicava os danos causados à natureza. Entre os argumentos que ele usava, um era forte e convincente. O plástico jogado na natureza levava 500 anos para se decompor. Ou seja, não deixava a terra “respirar”. Seria semelhante, e era um dos exemplos que dava, a um saco plástico que tapasse nossa cabeça. Por falta de ar, nos levaria à morte quase que imediatamente. Lembrei-me deste fato no momento em que algumas cidades estão criando leis que proíbem o uso de canudinhos plásticos. O professor Remídio, lastimavelmente, nos deixou, porém seu combate está sendo seguido por muitos administradores públicos. Foi o caso do Rio de Janeiro, que proibiu o uso desse “inocente”, na aparência, canudinho plástico. Mas e o resto dos recipientes? A garrafa pet, os sacos de supermercados (alguns, hoje, já estão substituindo por sacos de papel), quando irão proibir sua fabricação? Foi dado o início. Só se espera que não demore muito para a proibição total. Matéria publicada na imprensa Carioca, Jornal o Dia, traz a informação de que a empresa Starbucks, que possui 28 mil lojas no mundo, sendo 113 no Brasil, começou a substituir os canudinhos de plástico, e a conclusão está prevista para 2020. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, sancionou, na semana passada, a lei, aprovada pela Câmara, que obriga bares, restaurantes e quiosques a usar canudos de papel reciclável. No caso dos canudinhos, por serem compostos de uma matéria mais fina, leva 200 anos para se decompor. Boa parte dessa matéria acaba indo para os mares e, além da poluição, causa a morte de várias espécies. Entre as opções que surgiram até agora estão a que usa papel, vidro, aço e bambu no lugar da matéria-prima obtida do petróleo. Ontem foi a vez de Bagé entrar na briga. O vereador Augusto Lara entrou com projeto na Câmara que, com certeza, será aprovado, que segue a norma de proibir o uso do material fabricado com resíduos do petróleo. Fiquei a pensar (às vezes o faço) sobre qual a razão pela qual o Congresso Nacional não toma a mesma iniciativa e aprova lei que proíba “todos os produtos plásticos”? Não precisaria cada município criar suas próprias leis. Aproveite o ano eleitoral e pergunte aos candidatos que aqui comparecerem, qual a opinião deles sobre o tema. Afinal de contas, isso deve interessar toda a população. Se os nossos representantes, até agora, não se preocuparam com o fato, algo de “podre deve existir no reino da Dinamarca” Concordam ou não?    

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