Bagé / RS, Terça-feira, 24 de Abril de 2018
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Edgar Muza | Bagé/RS
Coluna: Política
Perfil: Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Política

O couro tá comendo e o bicho tá pegando

Os governantes não se entendem, o negócio tá preto. Urubu não vem na terra (terra Brasil) para pegar seu rango (comida) porque está com medo de virar galeto. Letra de samba, gravado na década de 80, por Bezerra da Silva, que continua, creio que continuará por muito tempo, atualizado. Vejamos. O cenário político desenhado até agora, para a próxima eleição, é o seguinte: todos esperam pela decisão da Justiça. O Lula será ou não condenado em segunda instância? Alguém irá pedir vista do processo, atrasando por tempo suficiente para que ele seja candidato? Será condenado por unanimidade, o que impediria em tese, sua candidatura? Existe apelação após decisão dos desembargadores no dia 24? Se houver, atrasa ou não o processo? Sua condenação por unanimidade o levaria imediatamente para a cadeia? Seria ou não incluído na “ficha suja” o que o impediria de concorrer? São muitas perguntas que tem sido feita pela maioria da imprensa brasileira e internacional. Eu esgotei meus pontos de interrogação. Como sempre, deixo escondida uma “carta na manga”. As leis dão tanta volta e têm tantas vírgulas que só um profissional do Direito poderá ter conhecimento. E aí paro para pensar (às vezes o faço): até eles estão em dúvida. Tenho acompanhado declarações de muitos especialistas no Direito que têm interpretações distintas, o que prova que o tema é controverso. Isso, por si, deixa os partidos que dão respaldo ao governo em compasso de espera aguardando a decisão da Justiça. Mas Temer, e sua equipe, está asfaltando a estrada. Tem aspirações de concorrer. Basta que acompanhemos as declarações, com isenção, para sentirmos o desejo ainda contido, mas palpável. Ontem, os jornais publicaram, e a Voz do Brasil deu ênfase um dia antes, ao contentamento da máquina governamental em saudar a inflação de 2017, que foi mais baixa do que o previsto pela equipe econômica. Todos falaram, de Temer ao presidente do Banco Central e do Brasil, enaltecendo os mecanismos criados pelo governo e que deram certo. Que mecanismo foi esse? - pergunta o Pedro Bó. Até o final da votação da Câmara que livrou Temer de ser investigado, quase nada foi criado para diminuir a inflação, porque a equipe governamental só se empenhou em evitar sua saída da cadeira presidencial. Liberou e está liberando recursos públicos a “torto e a direito” no intuito de conseguir seu objetivo. O que forçou a baixa da inflação foi o próprio mercado. No final de 2016, abri este espaço com a seguinte manchete: ”Só a crise nos livrará da crise”. Os leitores (que são poucos, mas fiéis) devem lembrar. Se não lembram recorram ao arquivo da Folha do Sul. O que eu quis dizer com essa afirmação é algo que está sendo constatado. O desemprego, aliado ao medo de piores dias, fizeram a população aprender a comprar. A maioria aprendeu a “pechinchar” buscando o menor preço. E isso constatei em minhas andanças pelos supermercados e paradas de ônibus em Bagé. Em filas de banco e meu contato diário com a universidade da Sete. Tanto é verdade que a arrecadação do bolo nacional diminuiu. Basta olhar com isenção os indicadores econômicos e a gritaria dos prefeitos e governadores de Estado. A arrecadação diminuindo é a maior prova que as vendas, tomando por base a arrecadação de impostos, diminuíram. Não é que a procura por manteiga ou margarina tenha diminuído. Seus preços é que baixaram. Então, o comércio teve que se enquadrar ao mercado. Passou, também, a “pechinchar”, exigindo preço mais baixo para adquirir produto de seus fornecedores. Uma coisa levou a outra. Foi o mercado e não decisões da equipe econômica que forçou a baixa da inflação. Para não dizer que não reconheço pelo menos uma decisão salutar deste governo que aí está, destaquei como positiva a liberação do fundo de garantia que estava parado. Isso deu um fôlego aos desempregados, que conseguiram pagar dívidas passadas e comprar algo fora do “estritamente” necessário à sobrevivência. Agora, fazer apologia política de algo que contrasta com a realidade, é usar de um argumento tomando para si algo que não é seu. Mas faz parte do jogo. E muita gente vai acreditar. E isso irá refletir nas próximas pesquisas que, com certeza, serão encomendadas, e pagas, mostrando esse lado “positivo” do governo. A oposição, neste momento, só está preocupada em fazer pressão para empurrar com a barriga o processo de Lula. Pela exiguidade de tempo, independente do que for decidido pela Justiça, estou convencido de que Luiz Inácio será candidato. Nem que, para tal, tenha que recorrer ao Judiciário. A Constituição determina que a prisão só poderá ser decretada após transitar em julgado. E isso só acontece após esgotado todos os prazos legais para contestação. Até Gilmar Mendes, que votou pela prisão em segunda instância, já reformulou publicamente seu voto. Então, fico com a opinião que emiti meses atrás: todos os políticos, não condenados em última instância, e que não estejam presos, poderão concorrer na próxima eleição. Embora corram o risco, se eleitos, de não serem diplomados e se forem, serem cassados pela Justiça. Este filme já passou em nosso cinema. Concordam?            

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