Bagé / RS, Terça-feira, 23 de Outubro de 2018
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Edgar Muza | Bagé/RS
Coluna: Política
Perfil: Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Política

Joaquim Barbosa continua na vitrine

Não passa uma semana sem que algum órgão de imprensa publique declaração de Joaquim Barbosa. Como sempre, suas declarações causam irritação em alguns e alegria em outros. O que faz parte da democracia. Até hoje, pela sua atuação na presidência do Supremo e suas declarações após a aposentadoria, eu concordo com a maioria de suas opiniões. Na última segunda-feira, em entrevista a rádio CBN, divulgada por alguns jornais brasileiros, ele faz uma observação interessante. Leiam: "Não sei como PMDB, PSDB e PT têm coragem de lançar candidatos”. É claro que, nojento como sou, tenho a petulância de afirmar que sei. Quem monta esquema, desde o retorno à democracia, para se eternizar no governo, não está nem aí para dar bola para a decência. É claro que continuarão a me taxar de repetitivo. Isso eu já assimilei e sei que sou. Mas tem um pequeno detalhe, quem me incentiva a proceder assim são os próprios políticos. Vamos aos fatos. Quando os legisladores da época, movidos por incentivos financeiros (ou seja, propinas governamentais) votaram pela criação da reeleição, passava pela cabeça de Fernando Henrique, então presidente, e sua base parlamentar, a continuação no poder. O adversário político mais forte da época, PT, subiu nas mesas e foi notícia em tudo quanto é lugar, tentando evitar que o parlamento brasileiro aprovasse a medida. Seu líder maior, Lula, chamou Sarney, um dos defensores da ideia, de ladrão. De nada adiantou, porque o dinheiro disponibilizado pelo governo obteve o poder de convencer a maioria dos componentes do Congresso. O povo brasileiro concordou com as críticas de Lula, que foi eleito presidente da República. O mínimo que se esperava era a revogação da lei que criou a reeleição. Mas não. Gostou e não só se reelegeu como acabou elegendo sua sucessora, dona Dilma. Com apoio de Sarney e cia. ltda.. Esses fatos mostram que os partidos têm coragem de lançar candidatos na próxima eleição. Principalmente que a luta maior dos corruptos é permanecer em cargos que os mantenham com foro privilegiado. Então, não só os partidos lançarão candidatos, como farão tantas composições quantas necessárias para permanecer em torno do poder. A minha esperança é que o leitor dê um basta e não repita voto em candidatos denunciados por corrupção. Certo?
             
Conclusão de estudos confirma o óbvio

 O Banco Mundial entregou, na manhã de terça-feira, aos ministros da Fazenda e do Planejamento, relatório detalhado sobre os gastos públicos no Brasil. Atendendo solicitação dos ex-ministros Joaquim Levy e seu sucessor, Nélson Barbosa, a instituição chegou à conclusão - para mim óbvia ululante (Nélson Rodrigues) -, que o Brasil “gasta muito e de forma injusta”. E não escapa nenhum ente da federação. União, estados e municípios são enquadrados no levantamento. Como pode um país ter uma casta - deputados e senadores - que consome quase 170 mil por mês, enquanto o salário mínimo não chega a um mil. Nenhum ser humano tem a liberdade de gastar mais do que ganha. Ele, ou os empresários que assim procederem, quebram. O Brasil deve mais de um trilhão (a maioria nem sabe o que é isso) e os políticos, que são eleitos por nós, têm boca livre em tudo que é setor. Telefone grátis, verba para moradia, passagens aéreas, carros à disposição, com combustível pagos pelo erário, aviões da FAB para deslocamentos. E outra tantas mordomias que é difícil relacionar. O teto máximo de salário é ao redor de 33 mil reais. Em penduricalhos, eles gastam seis vezes mais que a lei determina. Os órgãos públicos não têm mais espaço para abrigar os assessores nomeados e os funcionários concursados. A maioria nem comparece para assinar o ponto. Como pode um país sobreviver com esse desperdício do dinheiro público? Pois bem, a conclusão do levantamento do Banco Mundial é interessante: "Os governos da União, estados e municípios gastam mais do que podem e de forma ineficiente, já que os objetivos não são alcançados. Em muitos casos, os resultados são injustos”. Não sei quanto a país pagou pela auditoria do Banco Mundial. Se é que pagou. Aqui mesmo, no país, muitos economistas e até “metidos” a entendidos, têm afirmado a mesma coisa sem custo nenhum para a nação. Mas os políticos querem solucionar o problema? Até agora não têm demonstrado. O povo ainda não aprendeu que está em suas mãos as mudanças. Repeteco: não repita voto.       
 

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