Bagé / RS, Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
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Edgar Muza | Bagé/RS
Coluna: Política
Perfil: Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Política

O bicho tá pegando. Corruptos conspiram

A maioria dos políticos, estou falando sobre os corruptos, estão pisando em ovos, como diriam os mais antigos. São mais de duzentos os investigados pela Polícia Federal, entre eles, a grande maioria já está nas mãos do Supremo ou da Justiça federal, dependendo se ele tem foro privilegiado ou não. As empreiteiras que estão no “olho do furacão”, participaram da “compra de políticos” para verem suas propostas aprovadas. Com o título “ajuda de campanha”, se formou a grande base da “gang” descoberta e sendo julgada. E aí escapam poucos partidos, talvez só os menores, desta roubalheira. Mas estes, por serem pequenos e não terem representação suficiente para caçar os ladrões, se restringem, apenas a gritar. Esbravejam contra os bandidos, mas é só. Quem está salvando (ou lavando?) a pátria são as instituições. Aqui do lado de fora, apenas observando os acontecimentos, tiro minhas conclusões. No caso atual, ao escutar os envolvidos explicando os atos que não consideram ilícitos, me dá vontade de rir. Por exemplo, ao defenderem o caixa dois, apenas confirmam que ele existiu. Ou seja, dão razão aos investigadores. Então, a jogada ensaiada por todos é a seguinte: “Nem sempre caixa dois é crime”. Partindo do principio que isso seja considerado legal, está aberta a porteira para os sonegadores usarem a estratégia e sonegarem impostos. É senil, porém, uma coisa é uma coisa e outra é outra. Sem olhar para o lado jurídico, por ser leigo, me atenho a parte prática. Quem sonega imposto não está roubando do país dos brasileiros? Está. Quem roubou da Petrobras, não fez a mesma coisa? Fez. Os grandes sonegadores não usaram dos políticos para “legalizar” suas falcatruas? Usaram. Então, os reais prejudicados somos nós, que pagamos os impostos e elegemos os governantes no sentido deles solucionarem os problemas de saúde, educação e segurança. Muito esclarecedora foi a opinião da presidente do Supremo, Carmen Lúcia: "O que está sendo julgado não é se o caixa é um, dois ou três, é a procedência do dinheiro”. 
 
Onde quero chegar: eis a questão
Já cheguei há muito tempo, basta lerem minhas colunas desde o início do Folha do Sul. Os privilégios têm que acabar, respeitando a própria Constituição: “Todos são iguais perante a lei”. Os corruptos hoje, estão mais preocupados com a próxima eleição do que com os processos judiciais que estão andando nas diversas áreas do judiciário. No Supremo é mais lento do que na Justiça Federal. Imaginem o que pensam os denunciados. Até isso eu tento adivinhar. Com seus doadores, a maioria preso, não haverá quem auxilie suas campanhas. Eles não estão preocupados com seus julgamentos, mas sim com sua reeleição. Sem dinheiro, eles sabem, que ficarão em situação idêntica aos candidatos que sempre concorreram sem auxílio extra, mas sim como os recursos do próprio partido. Então, estão bolando uma reforma na Lei Eleitoral que permita ajuda de campanha de quem quer que seja, mas que será depositada no TSE, para ser dividida levando em consideração o tamanho dos partidos. Se me fosse dado a oportunidade de votar, até aceitaria em parte a sugestão. Doação sim, mas divisão igualitária sem olhar o tamanho dos partidos. O mesmo deveria ocorrer com os espaços políticos. Todos os candidatos da majoritária teriam o mesmo tempo disponível no rádio e televisão. Aí terminaria um dos objetivos para formação de coligações: O tempo na mídia. Concordam ou não?
 
Briga de foice no escuro                                                  
Na quarta (dia 15), Michel Temer se reuniu no palácio, com os presidentes da Câmara (Rodrigo Maia), do Senado (Eunício Oliveira) e do TSE (Gilmar Mendes), para tratar de uma reforma no sistema político/eleitoral. Nem me perguntem o que o Gilmar Mendes estava fazendo por lá. Sua participação política e não jurídica como querem que acreditemos, não deixa dúvida sobre sua importância na mudança, temporária eu diria, das regras eleitorais. É claro que o tema é beneficiar a quem está com a “cola presa”. Pois bem, na sexta (dia17), a presidente do Supremo, Carmen Lúcia, em entrevista à rádio CBN, assim se manifestou: "O sistema brasileiro precisa mesmo ser repensado, não tenho dúvida nenhuma. Mas a lista fechada e o financiamento fazem com que haja provavelmente pessoas que vão arvorar-se quase como donos, proprietários de partidos". Foi além, demonstrando que não concorda com a montagem de um sistema engendrado no palácio: “Talvez seja a hora da gente cumprir o artigo 14 da Constituição. Afinal, o artigo 1º da Constituição estabelece que o povo é soberano, o povo é que é titular da soberania, logo ele é que deve decidir em última instância. O artigo 14 da Constituição de 1988 prevê esses mecanismos. Talvez já tenha passado da hora da gente começar a adotá-los para que o povo se manifeste". Ela defende referendo ou plebiscito, com amplo debate para que o eleitor entenda o que vai ser modificado. Boa, dona Carmem! Mudar as regras do jogo com a partida andando não é aceita nem no futebol. Por baixo do arroz tem linguiça. Ou não?
 

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