Bagé / RS, Segunda-feira, 27 de Maio de 2019
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Roger Lerina
Coluna: Opinião
Opinião

Um patrimônio em permanente renascimento

Curador de longas-metragens do 11º Festival Internacional de Cinema da Fronteira
 

Parece que foi ontem que o Festival Internacional de Cinema da Fronteira completou a primeira década. E faz pouco tempo mesmo: a décima edição do evento realizou-se no final de novembro e começo de dezembro de 2018, o festival de número 11 será realizado agora entre os dias 23 e 27 de abril. Se a proximidade entre as edições impôs desafios e urgências aos trabalhos da produção e das curadorias, essa mudança para o primeiro semestre do ano também contribuiu para fortalecer o sentido de continuidade, coerência e evolução do Festival da Fronteira – uma preocupação que, de resto, pauta a iniciativa desde seu surgimento, em 2009.
Em 2019, o Festival da Fronteira repete o exitoso movimento de literalmente cruzar a fronteira iniciado no ano passado e de novo soma a Bagé a brasileira Santana do Livramento e a uruguaia Rivera como cidades sede do evento. Essa materialização prática de uma vontade de inclusão e diálogo empresta concretude a uma vocação de origem do festival, que sempre encarou o cinema como linguagem artística particularmente propícia para estreitar laços culturais, apontar afinidades históricas, borrar separações geográficas e espelhar nexos simbólicos entre diferentes sociedades, povos e nações.
Consonante com esse vetor ideológico que busca ressoar diferentes vozes, o Festival da Fronteira coloca no cerne da programação da 11ª edição – que inclui oficinas, debates, encontros e atividades estudantis, comunitárias e formativas – uma seleção polifônica de filmes. São longas e curtas-metragens, em competição e fora de concurso, que representam características, ênfases e valores caros ao festival: o olhar crítico para a contemporaneidade, as diferentes visões de mundo a partir de um determinado contexto local, as problemáticas específicas brasileiras e latino-americanas, as ricas e conflitantes heranças de nossas origens ibéricas e africanas, a busca por um cinema de linguagem inquieta e ousada, o português e o espanhol como nossas determinantes matrizes idiomáticas e culturais.
O 11º Festival da Fronteira reúne seis longas-metragens na mostra competitiva, com títulos em première nacional ou gaúcha: "Caminhos Magnétykos” (2018, Brasil/Portugal), de Edgar Pêra, "Domingo" (2018, Brasil), de Clara Linhart e Fellipe Barbosa, "Las Rutas en Febrero" (2018, Canadá/Uruguai), de Katherine Jerkovic, "Morto Não Fala" (2018, Brasil), de Dennison Ramalho, "Ocho de Cada Diez" (2018, México), de Sérgio Umansky Brener, e "Our Madness" (2018, Moçambique/Portugal), de João Viana. As duas produções brasileiras da competição foram filmadas no Rio Grande do Sul e encarnam com vigor e talento o cinema nacional contemporâneo. Aficionado do gênero horror, o diretor e roteirista gaúcho Dennison Ramalho debuta no longa com "Morto Não Fala", filme rodado em Porto Alegre e inédito no Estado, cuja estreia realizou-se no Canadá, no Fantasia Film Festival. Os atores Daniel de Oliveira e Marco Ricca estão no elenco. Também inédito no Rio Grande do Sul, “Domingo”, de Clara Linhart e Fellipe Barbosa (de “Gabriel e a Montanha”), foi inteiramente filmado em Pelotas e será representado em Bagé pela gaúcha Ítala Nandi – premiada como melhor atriz no Festival do Rio por esse trabalho. A produção teve estreia no Festival de Veneza e retrata as ambíguas relações sociais entre a burguesia e a classe trabalhadora no Brasil a partir de um fim de semana no campo, filiando-se à tradição fílmica da crítica de costumes que vêm do clássico “A Regra do Jogo” (1939), de Jean Renoir, e chega a “Casa Grande” (2014) – também dirigido por Fellipe Barbosa.
Os dois títulos de produção portuguesa da competição têm em comum a pesquisa de linguagem e o desejo por explorar as possibilidades e os limites do cinema. O drama "Our Madness", de João Viana, é uma das raras produções inteiramente filmadas em Moçambique. O longa ganhou o prêmio de melhor filme no mais importante festival de Portugal, o IndieLisboa, além de ter estreado no Festival de Berlim. O angolano Viana participou do Festival da Fronteira na quinta edição, com o longa “A Batalha de Tabatô” (2013). Já "Caminhos Magnétykos", do vanguardista realizador Edgar Pêra, foi selecionado para o Festival de Rotterdã e narra de maneira onírica a longa jornada noite adentro de um rico empresário que deambula pelas altas rodas e pelo submundo de Lisboa. O elenco é encabeçado pelo ator francês Dominique Pinon – astro de filmes como “Delicatessen” (1991) – e pelo cantor brasileiro Ney Matogrosso. A presença lusitana no festival inclui ainda a exibição fora do concurso de "Pedro e Inês" (2018), requintado drama histórico de António Ferreira – uma coprodução entre Portugal, Brasil e França que teve estreia no Festival de Cinema de Montreal.
Completando os longas em competição, estão dois representantes de distintas vertentes da cinematografia latino-americana atual. "Las Rutas en Febrero", da jovem realizadora canadense de origem uruguaia Katherine Jerkovic, teve sua première no Festival de Toronto, conquistando três prêmios. Ambientado em uma cidadezinha do Uruguai, em um cenário muito familiar ao interior gaúcho, o filme é um drama minimalista sobre o relacionamento de uma jovem e a avó pautado pela ausência paterna. Já "Ocho de Cada Diez", do diretor e produtor mexicano Sérgio Umansky Brener, utiliza-se dos códigos do drama policial para contar a história de um homem simples que busca justiça para a morte do filho, vítima da violência do tráfico e da indiferença das autoridades. A produção foi selecionada para o Festival de Cinema de Varsóvia. Ainda dentro do escopo hispânico, o Festival da Fronteira também vai exibir fora da competição o inédito drama espanhol "Bernarda" (2018), de Emílio Ruiz Barrachina, baseado na obra de Federico García Lorca, com um elenco que inclui as conhecidas atrizes do cinema ibérico Assumpta Serna, Miriam Díaz-Aroca e Victoria Abril – famosa por estrelar filmes de Pedro Almodóvar como "Ata-me” (1989) e “Kika” (1993).

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Sol e vens continuam seu caminho unidos em leão ainda motivando seu coração. Lua e mercúrio em virgem melhoram as relações de trabalho e possibilitam acordos de negócios. planos e projetos em alta.

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