Bagé / RS, Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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João Batista Monteiro Camargo
Coluna: Opinião
Opinião

Precisamos parar de só falar da educação

Não há como pensarmos em uma sociedade justa e igual se não pensarmos no alinhamento desta sociedade. Estamos em um processo evolutivo nessa discussão mas ainda engatinhando e com constantes ameaças, muito se fala em vagas nas universidades, pouco se fala no ensino formal de qualidade, muito se fala em ações afirmativas, pouco em inclusão efetivamente, os pontos de chegada realmente estão mais alinhados, contudo o que importa alinhar são os pontos de partida. Quando paramos pra pensar na possibilidade de  termos uma fiscalização nas questões do Enem para que temas como feminismo, sexualidade e história por exemplo, sejam eliminados, quando pensamos em multiseriar uma escola como está acontecendo com a escola Mario Suñe, em Bagé, escola onde trabalha uma das professoras que foi e é minha maior fonte de inspiração , colocando fora anos e anos de aperfeiçoamento e construção de saber coletivo, quando admitimos que verbas da merenda sejam desviadas o que seguidamente os jornais noticiam, quando parcelamos o salário de um professor ou pior entendemos a justificativa de um parcelamento, quando não vemos o mínimo de estrutura em uma escola, quando colocamos em pauta a mera possibilidade de cercear o discurso do professor e colocamos na figura desse professor a possibilidade de “doutrinação” querendo limitar ou viciar o seu discurso, morre uma fada. A expressão “morre uma fada” é clássica na história do Peter Pan, quando alguém fala que não acredita em fada morre uma fada, por analogia, quando deixamos de acreditar na educação, quando endossamos os discursos contrários a uma educação crítica e libertária ou quando só enxergamos os problemas na ponta da linha, deixamos que “morra” a educação. É um tema sensível em que todos se sentem com propriedade para discutir, contudo, poucos efetivamente entendem a dimensão verdadeira da educação e o reflexo na sociedade.  Assim como Bobbio nos diz que precisamos parar de somente falar dos direitos humanos mas sim pensar e agir em consonância com eles penso que precisamos parar de simplesmente falar da educação e das críticas que revestem o tema e passemos a agir mais para que esta tenha uma trajetória ascendente e consiga realmente ser emancipatória. Não classificamos uma sociedade como mais ou menos democrática pelo número de eleitores nem mesmo pelo sistema que adota para sua representação, mas sim pelo número de oportunidades e possibilidades que temos de vez e voto.  É fácil criticar a educação, deixando o filho institucionalizado, preferencialmente o dia inteiro, na escola sob a responsabilidade de uma “babá” estatal, é fácil criticar as metodologias aplicadas e a forma do ensino, o difícil é abrir o caderno do filho e se pôr a par do que ele está aprendendo, guardar uns minutos do dia para ajudar com os temas e se mostrar interessado no processo de aprendizagem, que acreditem, perpassa e muito o espaço da escola. Conselho de classe?  Uma reunião chata que muitos dispensam. CPM – Conselho de Pais e Mestres, algo que preferencialmente não deve nem ser falado, imagina só, com todas as atribuições do dia ainda estar preocupado com a escola, sua falta de verba, organizar eventos, discutir projeto pedagógico, não, não, isso é pra quem tem tempo, para as mães (pais, mas geralmente se pensa nas mães) desocupadas. Em todos os níveis, seja União, Estados ou Municípios, temos ou a menos deveríamos ter, os conselhos de educação, representado por órgãos e entidades envoltas e preocupadas com a educação. As pautas, reivindicações e discussões dos conselhos são livres, podemos e devemos participar, mas onde estamos?   Estamos ali na esquina falando dos professores, da precariedade das escolas, do caos que está a educação.  Os alunos chegam na universidade, quando chegam pois o índice ainda é baixo, e isso que o brasileiro tem essa “tara pela educação superior”, sem saber contas básicas, interpretação de texto e ortografia precárias, mas além disso, sem saber o que é criticidade, o que é posicionar-se e o que é entender o mundo para além de onde os seus pés pisam e isso é soma dos descasos que estamos cometendo desde cedo. Como já disse não adianta alinhar a chegada sem que a partida seja justa, queremos cidadãos pensantes, críticos, modificadores da realidade, ou queremos mais pessoas preconceituosas, mais discurso de ódio, mais pessoas violentas quando são discordadas, que não sabem o lugar do outro e nem mesmo extraírem dos discursos algo que seja imparcial e bom para o todo.  Assim como nos preocupamos com a saúde e com a segurança pública, a educação jamais poderia ser posta no segundo plano. Quem pensa em educação pensa em uma sociedade melhor, pensa em futuro, pensa em igualdade. Vamos pensar no discurso (talvez e muito provavelmente eleitoreiro) dos nossos últimos representantes a deputado e senador, por exemplo, no quesito educação, quem falou sobre e fez para?  Não lembra?  Hum, isso é um grande problema.  É bonito ver o filho de catador e empregada doméstica passar em primeiro lugar no vestibular de medicina na USP, é bonito mesmo, mas essa é a exceção da exceção. Nem todos os outros filhos de outros catadores e domésticas terão a mesma “sorte”, algum deles poderão ir para o outro lado, para o crime por exemplo. É fácil condenar a falta de oportunidade quando se tem oportunidade, difícil é entender que na falta de oportunidade qualquer oportunidade é oportunidade.   A palavra meritocracia até pode ter sido criada e pensada com uma boa intenção mas a prática nos mostra uma total falta de adequação, fácil falar da fome quando se está de barriga cheia, diria um presidente de país vizinho.
Continuamos...       camargojoao@hotmail.com  

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